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CONVERSAS ILUMINADAS
Martha Medeiros
Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando
de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só
voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
Disponível em: https://beneviani.blogspot.com/2013/12/martha-medeiros-conversas-iluminadas.html Acesso em 08 de outubro de 2025
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa,
sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o
barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem?
Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso
lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia
humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de
casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande.
Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então
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sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as
duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua
cama e começamos a conversar. Que jeito.
Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os
que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui.
E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua
cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si
mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu
estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na
próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com
ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o
novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento
que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma
música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E
rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha
comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não
passava uma tarde tão luminosa.
Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e
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Com o universo alheio.
E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É
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Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja
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