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207954 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE
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Enunciado 207954-1
Na tira acima, observa-se um desvio no emprego da norma culta da Língua Portuguesa. Com base no entendimento da mensagem e considerando o último quadrinho, o uso de tal variação pode ser explicado pelo fato de
 

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207953 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE
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OS VENENOSOS

O veneno é um furo na teoria da evolução. De

acordo com o darwinismo clássico os bichos desen-

volvem, por seleção natural, as características que ga-

rantem a sua sobrevivência. Adquirem seus mecanis-

mos de defesa e ataque num longo processo em que

o acaso tem papel importante: a arma ou o disfarce

que o salva dos seus predadores ou facilita o assédio

a suas presas é reproduzido na sua descendência, ou

na descendência dos que sobrevivem, e lentamente

incorporado à espécie. Mas a teoria darwiniana de pro-

gressivo aparelhamento das espécies para a sobrevi-

vência não explica o veneno. O veneno não evoluiu.

O veneno esteve sempre lá.

Nenhum bicho venenoso pode alegar que a luta

pela vida o fez assim. Que ele foi ficando venenoso

com o tempo, que só descobriu que sua picada era

tóxica por acidente, que nunca pensou etc. O veneno

sugere que existe, sim, o mal-intencionado nato. O ruim

desde o princípio. E o que vale para serpentes vale

para o ser humano. Sem querer entrar na velha dis-

cussão sobre o valor relativo da genética e da cultura

na formação da personalidade, o fato é que não dá

para evitar a constatação de que há pessoas veneno-

sas, naturalmente venenosas, assim como há pesso-

as desafinadas.

A comparação não é descabida. Acredito que a

mente é um produto cultural, e que descontadas coi-

sas inexplicáveis como um gosto congênito por cou-

ve-flor ou pelo “Bolero” de Ravel, somos todos dota-

dos de basicamente o mesmo material cefálico, pron-

to para ser moldado pelas nossas circunstâncias. Mas

então como é que ninguém aprende a ser afinado?

Quem é desafinado não tem remédio. Nasce e está

condenado a morrer desafinado. No peito de um de-

safinado também bate um coração, certo, e o desafi-

nado não tem culpa de ser um desafio às teses psico-

lógicas mais simpáticas. Mas é. Matemática se apren-

de, até alemão se aprende, mas desafinado nunca fica

afinado. Como venenoso é de nascença.

O que explica não apenas o crime patológico como

as pequenas vilanias que nos cercam. A pura malda-

de inerente a tanto que se vê, ouve ou lê por aí. O

insulto gratuito, a mentira infamante, a busca da noto-

riedade pela ofensa aos outros. Ressentimento ou

amargura são características humanas adquiridas,

compreensíveis, que explicam muito disto. Pura mal-

dade, só o veneno explica.

VERISSIMO, Luis Fernando. O Globo. 24 fev. 05.

A crônica se inicia negando a tese da "Teoria da Evolução". Essa estratégia tem como objetivo
 

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207951 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE
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OS VENENOSOS

O veneno é um furo na teoria da evolução. De

acordo com o darwinismo clássico os bichos desen-

volvem, por seleção natural, as características que ga-

rantem a sua sobrevivência. Adquirem seus mecanis-

mos de defesa e ataque num longo processo em que

o acaso tem papel importante: a arma ou o disfarce

que o salva dos seus predadores ou facilita o assédio

a suas presas é reproduzido na sua descendência, ou

na descendência dos que sobrevivem, e lentamente

incorporado à espécie. Mas a teoria darwiniana de pro-

gressivo aparelhamento das espécies para a sobrevi-

vência não explica o veneno. O veneno não evoluiu.

O veneno esteve sempre lá.

Nenhum bicho venenoso pode alegar que a luta

pela vida o fez assim. Que ele foi ficando venenoso

com o tempo, que só descobriu que sua picada era

tóxica por acidente, que nunca pensou etc. O veneno

sugere que existe, sim, o mal-intencionado nato. O ruim

desde o princípio. E o que vale para serpentes vale

para o ser humano. Sem querer entrar na velha dis-

cussão sobre o valor relativo da genética e da cultura

na formação da personalidade, o fato é que não dá

para evitar a constatação de que há pessoas veneno-

sas, naturalmente venenosas, assim como há pesso-

as desafinadas.

A comparação não é descabida. Acredito que a

mente é um produto cultural, e que descontadas coi-

sas inexplicáveis como um gosto congênito por cou-

ve-flor ou pelo “Bolero” de Ravel, somos todos dota-

dos de basicamente o mesmo material cefálico, pron-

to para ser moldado pelas nossas circunstâncias. Mas

então como é que ninguém aprende a ser afinado?

Quem é desafinado não tem remédio. Nasce e está

condenado a morrer desafinado. No peito de um de-

safinado também bate um coração, certo, e o desafi-

nado não tem culpa de ser um desafio às teses psico-

lógicas mais simpáticas. Mas é. Matemática se apren-

de, até alemão se aprende, mas desafinado nunca fica

afinado. Como venenoso é de nascença.

O que explica não apenas o crime patológico como

as pequenas vilanias que nos cercam. A pura malda-

de inerente a tanto que se vê, ouve ou lê por aí. O

insulto gratuito, a mentira infamante, a busca da noto-

riedade pela ofensa aos outros. Ressentimento ou

amargura são características humanas adquiridas,

compreensíveis, que explicam muito disto. Pura mal-

dade, só o veneno explica.

VERISSIMO, Luis Fernando. O Globo. 24 fev. 05.

"Ressentimento ou amargura são características humanas adquiridas, compreensíveis, que explicam muito disto. Pura maldade, só o veneno explica."

O final da crônica evidencia atitude de
 

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207949 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE
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TITANIC NEGREIRO

O Brasil é um navio negreiro em direção ao futuro.

Um negreiro, com milhões de pobres excluídos nos

porões – sem comida, educação, saúde – e uma elite

no convés, usufruindo de elevado padrão de consumo

em direção a um futuro desastroso. O Brasil é um Titanic

negreiro: insensível aos porões e aos icebergs. Porque

nossa economia tem sido baseada na exclusão social

e no curto prazo.

[...]

Durante toda nossa história, o convés jogou restos

para os porões, na tentativa de manter uma mão de obra

viva e evitar a violência. Fizemos uma economia para

poucos e uma assistência para enganar os outros. [...]

O sistema escravocrata acabou, mas continuamos

nos tempos da assistência, no lugar da abolição. A eco-

nomia brasileira, ao longo de nossa história, desde 18

e sobretudo nas últimas duas décadas, em plena de-

mocracia, não é comprometida com a abolição. No

máximo incentiva a assistência. Assistimos meninos de

rua, mas não nos propomos a abolir a infância abando-

nada; assistimos prostitutas infantis, mas nem ao me-

nos acreditamos ser possível abolir a prostituição de

crianças; anunciamos com orgulho que diminuímos o

número de meninos trabalhando, mas não fazemos o

esforço necessário para abolir o trabalho infantil; dize-

mos ter 95% das crianças matriculadas, esquecendo

de pedir desculpas às 5% abandonadas, tanto quanto

se dizia, em 1870, que apenas 70% dos negros eram

escravos.

[...]Na época da escravidão, muitos eram a favor da

abolição, mas diziam que não havia recursos para aten-

der o direito adquirido do dono, comprando os escra-

vos antes de liberá-los. Outros diziam que a abolição

desorganizaria o processo produtivo. Hoje dizemos o

mesmo em relação aos gastos com educação, saúde,

alimentação do nosso povo. Os compromissos do setor

público com direitos adquiridos não permitem atender

às necessidades de recursos para educação e saúde

nos orçamentos do setor público.

Uma economia da abolição tem a obrigação de ze-

lar pela estabilidade monetária, porque a inflação pesa

sobretudo nos porões do barco Brasil; não é possível

tampouco aumentar a enorme carga fiscal que já pesa

sobre todo o país; nem podemos ignorar a força dos

credores. Mas uma nação com a nossa renda nacional,

com o poder de arrecadação do nosso setor público,

tem os recursos necessários para implementar uma

economia da abolição, a serviço do povo, garantindo

educação, saúde, alimentação para todos. [...]

BUARQUE, Cristovam. O Globo. 03 abr.




"A economia brasileira [...], em plena democracia, não é comprometida com a abolição." (L. 15-18). Nos dicionários, a palavra "abolição" assume o sentido de extinção, de supressão. No texto, essa palavra alarga seu sentido e ganha o valor de
 

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207946 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE
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CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA OAB/RJ ESTÃO VIOLANDO REGRAS DE PROPAGANDA

Campanha das duas chapas causa poluição visual em várias cidades

Os dois principais candidatos à presidência da Or-

dem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Rio de Ja-

neiro, estão violando as regras de propaganda eleitoral

em vigor. Ambos vêm promovendo poluição visual,

instalando faixas e cartazes irregularmente em várias

áreas do Rio de Janeiro e em outras cidades do estado.

O material pode ser visto preso em passarelas,

fincado nos jardins do Aterro do Flamengo, em vários

pontos da orla marítima e na esquina das Aveni-

das Rio Branco e Almirante Barroso, entre outros

locais. [...]

O próprio presidente da Comissão eleitoral da

OAB/RJ disse ontem que a propaganda tem que ser

móvel:

– Faixas e cartazes são permitidos desde que

estejam sendo segurados por pessoas. Esse material

não pode ser fixo – disse ele [...]

O Globo. 11 nov. 09. (Adaptado)



"Ambos vêm promovendo poluição visual, instalando faixas e cartazes irregularmente em várias áreas do Rio de Janeiro e em outras cidades do estado." (l. 4-6).

A segunda oração do período pode ser substituída, sem a alteração de sentido, por Ambos vêm promovendo poluição visual...
 

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207941 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE
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Considere o texto a seguir para responder às questõesde nos 1 a 4.

TITANIC NEGREIRO

O Brasil é um navio negreiro em direção ao futuro.

Um negreiro, com milhões de pobres excluídos nos

porões – sem comida, educação, saúde – e uma elite

no convés, usufruindo de elevado padrão de consumo

em direção a um futuro desastroso. O Brasil é um Titanic

negreiro: insensível aos porões e aos icebergs. Porque

nossa economia tem sido baseada na exclusão social

e no curto prazo.

[...]

Durante toda nossa história, o convés jogou restos

para os porões, na tentativa de manter uma mão de obra

viva e evitar a violência. Fizemos uma economia para

poucos e uma assistência para enganar os outros. [...]

O sistema escravocrata acabou, mas continuamos

nos tempos da assistência, no lugar da abolição. A eco-

nomia brasileira, ao longo de nossa história, desde 18

e sobretudo nas últimas duas décadas, em plena de-

mocracia, não é comprometida com a abolição. No

máximo incentiva a assistência. Assistimos meninos de

rua, mas não nos propomos a abolir a infância abando-

nada; assistimos prostitutas infantis, mas nem ao me-

nos acreditamos ser possível abolir a prostituição de

crianças; anunciamos com orgulho que diminuímos o

número de meninos trabalhando, mas não fazemos o

esforço necessário para abolir o trabalho infantil; dize-

mos ter 95% das crianças matriculadas, esquecendo

de pedir desculpas às 5% abandonadas, tanto quanto

se dizia, em 1870, que apenas 70% dos negros eram

escravos.

[...]Na época da escravidão, muitos eram a favor da

abolição, mas diziam que não havia recursos para aten-

der o direito adquirido do dono, comprando os escra-

vos antes de liberá-los. Outros diziam que a abolição

desorganizaria o processo produtivo. Hoje dizemos o

mesmo em relação aos gastos com educação, saúde,

alimentação do nosso povo. Os compromissos do setor

público com direitos adquiridos não permitem atender

às necessidades de recursos para educação e saúde

nos orçamentos do setor público.

Uma economia da abolição tem a obrigação de ze-

lar pela estabilidade monetária, porque a inflação pesa

sobretudo nos porões do barco Brasil; não é possível

tampouco aumentar a enorme carga fiscal que já pesa

sobre todo o país; nem podemos ignorar a força dos

credores. Mas uma nação com a nossa renda nacional,

com o poder de arrecadação do nosso setor público,

tem os recursos necessários para implementar uma

economia da abolição, a serviço do povo, garantindo

educação, saúde, alimentação para todos. [...]

BUARQUE, Cristovam. O Globo. 03 abr.

O articulista parte de uma associação que é explicitada pelo título do texto. Tal associação, envolvendo o Titanic e o período histórico brasileiro escravocrata, revela uma estratégia discursiva que visa a provocar no leitor uma reação de
 

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64861 Ano: 2010
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

Uma nova pedagogia do trabalho se configurou com a automatização, que demanda

 

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64860 Ano: 2010
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

Os programas de trainees estão sendo fortemente utilizados nas organizações para promover aprendizagem.

São considerações pertinentes sobre esse tipo de programa, EXCETO a que explica que os

 

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64859 Ano: 2010
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

Um dos métodos adotados pelas organizações contemporâneas para a promoção da aprendizagem e de desenvolvimento de pessoas é a atribuição de comissões, que consiste em

 

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64858 Ano: 2010
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

A dinâmica de grupo pode receber uma abordagem andragógica, tornando-se processo que favorece a aprendizagem de adultos. Nessa perspectiva, analise as afirmações a seguir.

I – A dinâmica de grupo é um campo de estudo que objetiva a leitura, a compreensão e a intervenção dos movimentos do grupo para que seus membros possam entender seu próprio processo, podendo decidir sobre a necessidade de mudança.

II – O grupo é como um dispositivo de aprendizagem coletiva e individual, pelo fato de os processos relacionais funcionarem como um espelho, em que cada membro vê parte de si mesmo projetada nas atitudes do outro.

III – A relação desenvolvida entre os membros oportuniza ao grupo construir objetivamente uma mentalidade grupal que funciona como mecanismo de estímulo ou de resistência às mudanças.

É(São) correta(s) a(s) afirmação(ões)

 

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