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Considerando que a neurociência atual já dispõe de
um conjunto de evidências científicas úteis ao campo
da educação, Amaral e Guerra (2022) apresentam princípios neurocientíficos que, segundo elas, podem contribuir para fundamentar um ensino que potencialize a
aprendizagem. Nessa perspectiva, assinale a alternativa que expõe, corretamente, uma asserção defendida
pelas autoras.
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Leia o excerto a seguir, adaptado de Libâneo (2013):
“Para serem enfrentados os desafios do avanço acelerado da ciência e da tecnologia, da mundialização da economia, da transformação dos processos de produção, do consumismo, é preciso um maciço investimento na educação escolar. É preciso reconhecer a urgência da elevação do nível científico e técnico da população, para o que se torna inadiável a universalização da escolarização básica de qualidade.”
Diante das exigências educacionais que se apresentam nesse cenário, o autor propõe uma série de novas atitudes docentes, entre as quais está a tarefa de
“Para serem enfrentados os desafios do avanço acelerado da ciência e da tecnologia, da mundialização da economia, da transformação dos processos de produção, do consumismo, é preciso um maciço investimento na educação escolar. É preciso reconhecer a urgência da elevação do nível científico e técnico da população, para o que se torna inadiável a universalização da escolarização básica de qualidade.”
Diante das exigências educacionais que se apresentam nesse cenário, o autor propõe uma série de novas atitudes docentes, entre as quais está a tarefa de
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Veiga (2013) afirma que o projeto político-pedagógico
(PPP) busca a organização do trabalho pedagógico da
escola, em sua globalidade. Para tanto, de acordo com a
abordagem da autora, são atributos essenciais ao PPP:
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Com vistas à construção de um paradigma contemporâneo de educação integral, Moll (2009) redigiu um
documento destinado a orientar o debate nacional sobre
o tema. Segundo as proposições da autora no referido
texto, é correto afirmar que a educação integral deve
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Paulo Freire (1970) defende uma perspectiva de educação fundamentalmente comprometida em
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Surdez e Alzheimer
À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer
parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não
escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno
neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar
das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.
“Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros,
portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as
nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o
Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam
a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães
Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua
função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E,
da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma
pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode
ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como
o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.
Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public
Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco
42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva,
caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos,
mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição,
o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer,
aumenta em 27%.
Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva
não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros,
por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental,
aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”,
explica.
(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro
pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
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Os cavalos brancos de Napoleão
A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.
Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.
Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.
Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.
(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
• “… às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa.” (2º parágrafo)
• “até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.” (4º parágrafo)
No contexto em que foram empregadas, as palavras destacadas têm como sinônimos, respectivamente,
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Os cavalos brancos de Napoleão
A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.
Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.
Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.
Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.
(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
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