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2997821
Ano: 2023
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
Um dos aspectos de grande importância com
relação à conservação do EPI está relacionado a sua
guarda. Os dispositivos devem ser armazenados de
forma e em locais adequados, com o objetivo
principal de:
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2997820
Ano: 2023
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
Nas situações onde as medidas de controle de
riscos no ambiente laboral não se apresentem
suficientes para efetiva eliminação das
consequências que eles possam provocar, o
profissional deve obrigatoriamente fazer uso dos:
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2997819
Ano: 2023
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
As organizações precisam seguir medidas de
prevenção e controle da exposição às vibrações
mecânicas que possam afligir a segurança e a saúde
dos trabalhadores, eliminando o risco ou, onde
comprovadamente não houver tecnologia
disponível, reduzindo-o aos menores níveis
possíveis. No processo de eliminação ou redução dos
riscos relacionados à exposição às vibrações
mecânicas, além dos esforços físicos, qual dos
fatores a seguir deve ser considerado?
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2997818
Ano: 2023
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
A prevenção de acidentes e doenças
ocupacionais consiste no conjunto de medidas
adotadas no local de trabalho, com vista à
preservação da saúde dos profissionais que nele
atuam. O perigo é algo físico, presente ou parte
integrante da execução do trabalho pelo
profissional. No ambiente laboral, para que seja
possível a perfeita mitigação dos consequentes
riscos que os perigos possam gerar, eles devem ser
imediatamente:
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2997817
Ano: 2023
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
A higiene pessoal é a soma de hábitos de
limpeza que cada pessoa exerce no próprio corpo. A
higienização das mãos é apontada como uma prática
profilática muito eficaz na prevenção de:
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
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