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Foram encontradas 65 questões.

3879091 Ano: 2025
Disciplina: Engenharia Mecânica
Banca: UFF
Orgão: UFF
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Na figura a seguir apresenta-se uma viga biapoiada com um apoio de 2ª ordem no ponto B e um apoio de 1ª ordem no ponto C. Além disso, tanto o vão AB quanto o vão CD estão em balanço. Na extremidade A, atua uma carga concentrada de 5 kN, enquanto nos vãos BC e CD impõem-se cargas uniformemente distribuídas de 2,0 kN/m e 4,0 kN/m, respectivamente.


Enunciado 4855596-1


O momento fletor resultante no meio do vão BC vale, em módulo
 

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3879090 Ano: 2025
Disciplina: Engenharia Mecânica
Banca: UFF
Orgão: UFF
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Uma barra de aço carbono, com módulo de elasticidade longitudinal de 200 GPa, tem uma de suas extremidades engastadas, enquanto a extremidade oposta é livre para se deslocar. Na extremidade livre, é aplicado um deslocamento de 5 mm. Sabendo-se que a barra possui comprimento de 5 m e a sua resposta a este carregamento é elástica e linear, a máxima tensão cisalhante resultante em uma seção transversal dessa barra, desconsiderando efeitos de extremidade, vale
 

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3879089 Ano: 2025
Disciplina: Engenharia Mecânica
Banca: UFF
Orgão: UFF
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Um corpo rígido tem rotação livre, isto é, sem torques externos, em torno de seu centro de massa e suas equações de movimento são descritas pela equação de Euler. Supondo que os momentos de inércia principais desse corpo sejam I1 < I2 < I3, a rotação em torno dos eixos principais é estável quando ocorre em torno do(s) eixo(s)
 

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3879088 Ano: 2025
Disciplina: Engenharia Mecânica
Banca: UFF
Orgão: UFF
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A figura a seguir apresenta uma chapa de aço OABCDE com dimensões em mm.

Enunciado 4855593-1

Nessa chapa, o menor ângulo entre o eixo x e o x’ referente aos momentos de inércia principais dessa peça vale:

 

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3878842 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

A repetição em “Isso é bobagem! Isso é ficção! Isso é utopia!” (Linhas 47-48), atua, simultaneamente,
 

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3878841 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Justifica-se a vírgula em “Vivemos, creio, num ambiente de grande analfabetismo político e social” (Linhas 27-28) para
 

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3878840 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

A oração sublinhada em “Não podemos esquecer, porém, que as literaturas são expressões da sociedade em que são produzidas” (Linhas 14-16) está na voz passiva analítica. Na voz passiva sintética, de acordo com a norma culta, teria a seguinte estrutura:
 

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3878839 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Leia o fragmento a seguir para responder à questão:

“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)

Em “o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso”, as formas sublinhadas exemplificam, respectivamente o
 

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3878838 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Leia o fragmento a seguir para responder à questão:

“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)

A expressão “estudioso da oralidade e do discurso oral”, acima sublinhada, funciona sintaticamente como
 

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3878837 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

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LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Segundo o autor, “Não pode ser vista como uma essência ou um elemento monolítico, isolado e único: ‘a’ literatura” (Linhas 7-9). A ênfase do “a” pelas aspas reforça a ideia de
 

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