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Foram encontradas 65 questões.

3879297 Ano: 2025
Disciplina: Medicina
Banca: UFF
Orgão: UFF
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Paciente com história de queda da própria altura apresenta ferida corto-contuso na face póstero-lateral do braço esquerdo com 8 centímetros de extensão, superficial e limpa. Na sua história de vacinação prévia contra o tétano refere que recebeu três doses da vacina, sendo a última há 4 anos. Nesse caso, o médico deve realizar limpeza e desinfecção da ferida, sutura e curativo
 

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3879296 Ano: 2025
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: UFF
Orgão: UFF
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São diretrizes do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) previstas na Norma Regulamentadora 7, as opções listadas a seguir, EXCETO:
 

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3879295 Ano: 2025
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: UFF
Orgão: UFF
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De acordo com a Norma Regulamentadora 21 que trata do trabalho a céu aberto, quando o empregador fornecer ao empregado moradia para si e para sua família, esta deverá possuir condições sanitárias adequadas e, além disso,
 

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3879294 Ano: 2025
Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: UFF
Orgão: UFF
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Segundo a Norma Regulamentadora 16, são consideradas atividades perigosas, EXCETO:
 

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3879192 Ano: 2025
Disciplina: Medicina
Banca: UFF
Orgão: UFF
Considere um paciente masculino, de 60 anos, com dor precordial, sem comorbidades. Dentre as características abaixo identifique aquela que está associada com maior probabilidade de infarto agudo do miocárdio:
 

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3878842 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

A repetição em “Isso é bobagem! Isso é ficção! Isso é utopia!” (Linhas 47-48), atua, simultaneamente,
 

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3878841 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Justifica-se a vírgula em “Vivemos, creio, num ambiente de grande analfabetismo político e social” (Linhas 27-28) para
 

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3878840 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

A oração sublinhada em “Não podemos esquecer, porém, que as literaturas são expressões da sociedade em que são produzidas” (Linhas 14-16) está na voz passiva analítica. Na voz passiva sintética, de acordo com a norma culta, teria a seguinte estrutura:
 

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3878839 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Leia o fragmento a seguir para responder à questão:

“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)

Em “o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso”, as formas sublinhadas exemplificam, respectivamente o
 

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3878838 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Leia o fragmento a seguir para responder à questão:

“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)

A expressão “estudioso da oralidade e do discurso oral”, acima sublinhada, funciona sintaticamente como
 

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