Magna Concursos
1434502 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: EMDUR Porto Velho-RO

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.

Irmãos

– Mas agora vamos brincar de outra coisa. Quero saber se o senhor é inteligente. Este quadro é concreto ou abstrato?

– Abstrato.

– Pois o senhor é burro. É concreto: fui eu que pintei, e pintei nele meus sentimentos e meus sentimentos são concretos.

– É, mas você não é todo concreto.

– Sou, sim!

– Não é! Você não é todo concreto, porque seu medo não é concreto. Você não é completamente concreto, só um pouco.

– Eu sou um gênio e acho que tudo é concreto.

– Ah, eu não sabia que o senhor é um pintor famoso.

– Sou. Meu nome é Bergman. Maurício Bergman, sou sueco e sou um gênio. Nota-se pela minha fisionomia. Olhe: eu sofro! Agora quero saber se o senhor entende de pintura. Aquele quadro é concreto?

– É, porque vê-se logo que é um mapa, pelas linhas.

– Ah, ééé? e aquele?

– Abstrato.

– Errado! Então aquele também tinha que ser concreto porque também tem linhas.

– Vou explicar ao senhor o que é concreto, é...

– ... está errado.

– Por quê?

– Porque eu não entendo. Quando eu não entendo, é porque você está errado. E agora quero saber: isto é compreto?

– O senhor quer dizer concreto.

– Não, é compreto mesmo. É porque sou um gênio e todo gênio tem que pelo menos inventar uma coisa. Eu inventei a palavra compreto. Música é compreta?

– Acho que é, porque a gente ouve, sente

pelos ouvidos.

– Ah, mas o senhor não pode desenhar!

– O senhor acha que teto é concreto?

– É.

– Mas se eu virasse essa parede e botasse ela na posição do teto, ela ia ficar uma parede-teto e essa parede-teto ia ser concreto?

– Acho que talvez. Fantasma é concreto?

– Qual? o de lençóis?

– Não, o que existe.

– Bem... Bem, seria supostamente concreto.

– Mãe é concreto ou abstrato?

– Concreto, é claro, que burrice.

No quarto ao lado, a mãe parou de coser, ficou com as mãos imóveis no colo, inclinando um coração que batia todo concreto.

(LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Rio de Janeiro:

Rocco, 1999.)

Em “– Não é! Você não é todo concreto, PORQUE SEU MEDO NÃO É CONCRETO. Você não é completamente concreto, só um pouco.” (§ 6) o trecho destacado estabelece ideia de:

 

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