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581116 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CONSEP
Orgão: Pref. Pedro II-PI
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Velha questão: são os homens providenciais que fazem a História ou é a História que os providencia? Estou pensando no Mandela. Ele sem dúvida fez história, mas o apartheid teria se mantido mesmo sem a resistência dramatizada na sua prisão e no seu sacrifício? Provavelmente não. Martin Luther King simbolizou a luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos, empolgou e inspirou muita gente, mas a injustiça flagrante da segregação racial estaria condenada mesmo sem seus discursos e seu exemplo. Frequentei uma high school americana durante três anos e todos os dias, antes de começarem as aulas, botava a mão sobre o coração e prometia lealdade à bandeira aos Estados Unidos da América e à republica que ela representava, com liberdade e justiça para todos, e, certamente, em silêncio, muitos completavam o juramento: ...exceto para os negros . Durante anos a democracia americana conviveu com imagens de discriminação racista, linchamentos e outra violência contra negros no sul do país. Variava apenas o grau de consciência em cada um da hipocrisia desta convivência cega. O que Martin Luther King fez foi tornar a consciência universal e a hipocrisia visível, e insuportável. Mas a justiça para todos viria ou virá, ou tomara que venha, numa América ainda dividida pela questão racial, como mostra a revolta pela absolvição recente do assassino daquele garoto negro na Flórida mesmo sem a sua retórica.
Gandhi liderou o movimento de resistência pacífica que ajudou a liberar a Índia do domínio inglês. Há figuras como Gandhi mais ou menos pacíficas em quase todas as histórias de liberação do jugo colonialista. Mas por mais atraente que seja a idéia de heróis emancipadores derrotando impérios, a verdade é que eles serviram uma inevitabilidade histórica, independente da sua bravura, do seu discurso ou, como Gandhi, do seu apelo espiritual. O poder da História de fazer acontecer o necessário, à revelia da iniciativa humana, soa como ortodoxia marxista, eu sei, mas consolemo-nos com a idéia de que a História pode nos ignorar, mas está do nosso lado.
E dito tudo isto é preciso dizer que poucas coisas na vida me emocionaram tanto quanto a aparição do Mandela antes do jogo final da Copa do Mundo na África do Sul, ovacionado pela multidão. Conseqüente ou não, ali estava um herói.
. (Adaptado. VERÍSSIMO, Luis Fernando Heróis e História. O Estado de S.Paulo. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,herois -e- historia,1057140,0.htm>. Acesso em: 28 de maio de 2014)
O que Martin Luther King fez foi tornar a consciência universal e a hipocrisia visível, e insuportável (1º parágrafo) Fere-se a correção e as relações de sentido estabelecidas no texto substituindo-se o termo grifado por:
 

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