A era da burrice
Você já teve a impressão de que as pessoas estão ficando mais burras? Talvez não seja só impressão. Estudos feitos em vários países indicam que a inteligência humana começou a cair.
Por Eduardo Szklarz e Bruno Garattoni
Discussões inúteis, intermináveis, agressivas.Gente defendendo as maiores asneiras, e se orgulhando disso. Pessoas perseguindo e ameaçando as outras. Um tsunami infinito de informações falsas. Reuniões, projetos, esforços que dão em nada. Decisões erradas. Líderes políticos imbecis. De uns tempos para cá, parece que o mundo está mergulhando na burrice. Você já teve essa sensação? Talvez não seja só uma sensação. Estudos realizados com dezenas de milhares de pessoas, em vários países, revelam algo inédito e assustador: aparentemente, a inteligência humana começou a cair.
Os primeiros sinais vieram da Dinamarca. Lá, todos os homens que se alistam no serviço militar são obrigados a se submeter a um teste de inteligência: o famoso, e ao mesmo tempo misterioso, teste de QI (mais sobre ele daqui a pouco). Os dados revelaram que, depois de crescer sem parar durante todo o século 20, o quociente de inteligência dos dinamarqueses virou o fio, e em 1998 iniciou uma queda contínua: está descendo 2,7 pontos a cada década. A mesma coisa acontece na Holanda (onde tem sido observada queda de 1,35 ponto por década), na Inglaterra (2,5 a 3,4 pontos de QI a menos por década, dependendo da faixa etária analisada), e na França (3,8 pontos perdidos por década). Noruega, Suécia e Finlândia - bem como Alemanha e Portugal, onde foram realizados estudos menores - detectaram efeito similar.
"Há um declínio contínuo na pontuação de QI ao longo do tempo. E é um fenômeno real, não um simples desvio", diz o antropólogo inglês Edward Dutton, autor de uma revisão analítica(1) das principais pesquisas já feitas a respeito. A regressão pode parecer lenta; mas, sob perspectiva histórica, definitivamente não é. No atual ritmo de queda, alguns países poderiam regredir para QI médio de 80 pontos, patamar definido como "baixa inteligência", já na próxima geração de adultos.
Não há dados a respeito no Brasil, mas nossos indicadores são terríveis. Um estudo realizado este ano pelo Ibope Inteligência com 2 mil pessoas revelou que 29% da população adulta é analfabeta funcional, ou seja, não consegue ler sequer um cartaz ou um bilhete. E o número de analfabetos absolutos, que não conseguem ler nada, cresceu de 4% para 8% nos últimos três anos (no limite da margem de erro da pesquisa, 4%).
Texto disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-era-da-burrice/?fbclid=IwAR0wvF7IBphtAVh3 bDoaicZ17kb47FS219Yut3SgFQFmQE5wQ2F27nQpC2Q. Acesso em 21 de maio de 2020. (Adaptado)
Analise as afirmativas sobre o Texto 2:
1."A mesma coisa acontece na Holanda", os termos em destaque se referem à queda do quociente de inteligência.
2.No que se refere ao Brasil, os indicadores de pontuação de QI são baixos apenas no que tange aos adultos analfabetos.
3.Os alistados no serviço militar estiveram à frente quanto aos testes de QI. Eles apresentaram os menores índices em relação a vários países, inclusive o Brasil.
Está CORRETO o que se afirma em: