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1506448 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

Texto I:


enunciado 1506448-1

Ilustração de Jean-Claude R. Alphen


João e o pé de feijão-preto


José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta


1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da

cidade.

Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.

Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi

5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.

Então a mãe de João disse;

— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se

alguém quer comprá-la.

João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um

10 homem de cavanhaque lhe perguntou:

— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?

— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?

— Mas é feijão mágico.

— Mágico?

15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.

João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca com o homem de cavanhaque.

20 O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.

Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.

— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...

— Não! Este feijão é mágico!

— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.

Desapontada, ela atirou o grão pela janela.

25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.

Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no

seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!

O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em

cima.

30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo

grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.

João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.

Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.

Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.

35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para

sempre!”.

João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!

O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao

ver um gigante na sala.

40 Para piorar, ele cantava assim:

Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,

Mau como eu só existe um.

Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,

Mau como eu só existe um.

45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”

— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.

Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.

Só que não era um ovo comum. Era de ouro!

O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer

50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de

chocolate.

Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.

Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da

ave.

55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a

perua fez “glu-glu” bem alto.

O gigante acordou. E com muita raiva.

— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.

O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se

60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.

Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.

Assim que chegou em casa, João gritou:

— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!

— O que você fez desta vez?

65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.

— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?

Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para

o grandalhão:

— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais

70 acontecer. Pode levar sua perua.

Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do

pé de feijão.

No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas

essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma

75 recompensa a ela.”

E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.

— Tome, faça o que quiser com isso.

Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.

A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas

80 (que botavam ovos de verdade).

Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.

Moral da história: s vezes quem é bom não se dá mal.


TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen. João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.

Texto II:

O Cão e o Lobo

1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as

tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,

gordo, forte, de pelo fino e lustroso.

Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de

5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe

ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um

cão desses sai perdendo”.

O lobo aproximou-se do cão com toda a

cautela e disse:

10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um

cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que

pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...

— É verdade! — respondeu o cão. Confesso

que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,

15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que

levo.

― Como?

— Basta que abandone esse viver errante,

esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.

20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.

— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha

macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.

— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma de 25 regalos assim?

— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar

ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a mão de todos.

— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho

30 da casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.

— Que diabo é isso que você tem no pescoço?

— É a coleira.

— E para que serve?

— Para me prenderem à corrente.

35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?

— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas

que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?

O lobo entreparou, refletiu e disse:

— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu

40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.

E afundou no mato.

enunciado 1506448-2

LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29

Fonte da imagem Disponível: < http://www.iejusa.com.br/mundoinfantil/fabulasbrasileiras.php>. Acesso em 04 de out. de 2019.

Comparando-se os textos I e II, percebe-se que tanto a mãe de João quanto o lobo não abrem mão de certos valores, que são, respectivamente,

 

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