No centro do oceano Atlântico, 15 km a oeste do limite da placa tectônica, na cordilheira mesoatlântica, erguem-se, do leito marinho, rochas brancas, uma das quais alcança 60 metros de altura. Essa área, denominada Lost City, é um campo de fontes hidrotermais, das quais emerge água marinha a temperaturas entre 40 ºC e 90 ºC. Os estudos geológicos demonstram que esse campo hidrotermal representa um novo tipo de sistema hidrotérmico, no qual as rochas que compõem o fundo do mar não são constituídas por basalto negro, típico do fundo oceânico, mas de peridotito verde, encontrado geralmente no manto. À medida que entra em contato com a água do mar, o peridotito é transformado em serpentinita, e a água aí infiltrada torna-se mais alcalina; ao reemergir, essa água está desprovida de oxigênio, que foi substituído por gases ricos em energia, como o hidrogênio, o metano e o gás sulfídrico. Devido à abundância de hidrogênio nos ecossistemas de Lost City, até um terço dos micro-organismos é capaz de consumir a energia contida no hidrogênio. Tais micro-organismos pertencem ao domínio Archaea, são espécies metanogênicas e habitam o interior das rochas, onde a temperatura atinge 90 ºC e não há oxigênio. Ali vivem produzindo ou consumindo o metano; outras bactérias, sulfurosas, reduzem sulfatos. Em ambientes onde as temperaturas sequer atingem 40 ºC, vivem organismos do domínio Archaea que oxidam o metano e bactérias que consomem oxigênio. A macrofauna é diversa, pelo menos tão rica quanto em outras fontes termais que existem na cordilheira mesoatlântica. A maioria das espécies existentes em Lost City sobrevive apenas naquele ambiente específico.
As raízes mais profundas da vida. Scientific American Brasil, dez./2012 (com adaptações).
Em Lost City, a temperatura pode atingir 90 ºC e a produção de matéria orgânica pelos organismos autotróficos ocorre por meio de processo biológico cuja reação simplificada pode ser representada pela seguinte equação química.