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3504614 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: PROMINP
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Texto I

A REDE DAS MULHERES ESQUECIDAS

A pernambucana Maria Vanete Almeida, de 65 anos, tem um talento especial para reunir mulheres em torno de uma causa. Fez isso pela primeira vez nos anos 80, como assessora da Federação de Trabalhadores de Pernambuco. Naquele tempo, Vanete – que trabalhou a maior parte de sua vida vendendo bordados ou como secretária numa escola em uma pequena comunidade próxima a Serra Talhada, a 400 quilômetros de Recife – ficava incomodada com a ausência de trabalhadoras na Federação de Trabalhadores de Pernambuco. Para reverter esse quadro, resolveu visitá-las em suas casas, numa época em que essas mulheres mal atravessavam o espaço da cozinha. Levava informação, música ou uma história para contar. As trabalhadoras, por sua vez, falavam de suas rotinas e problemas.

Como as reuniões atraíam apenas duas ou três mulheres, Vanete logo encontrou um meio de incentivá-las. Enquanto percorria a pé comunidades rurais da região, usava sua participação como locutora do programa de rádio “A Voz do Sertão” para divulgar as visitas. “Eu falava o nome das mulheres na rádio e informava que a reunião tinha sido um enorme sucesso”, afirma Vanete.

Na década seguinte, ela criou uma rede ainda maior, que ultrapassou as fronteiras do país. Em 1990, quando participava de um encontro entre empresárias, profissionais liberais e lideranças sociais feministas na Argentina, Vanete estranhou o silêncio das mulheres rurais no debate que reunia 3 mil pessoas. Saiu pelos corredores e pelo restaurante do evento pregando cartazes que diziam: “Mulheres rurais e quem trabalha com mulheres rurais: vamos nos reunir”, com uma proposta de local para o encontro. Timidamente, foram aparecendo trabalhadoras rurais da Bolívia, do Chile, de Honduras, da Nicarágua. Num lugar improvisado, sentadas em círculo no chão, elas começaram a descrever a realidade da mulher e do trabalho rural em seus países. Mesmo diante do esforço para compreender as diferenças de idioma e sotaque, concordaram em buscar um sonho: iniciar uma rede feminina de troca de experiências e informações que abrangesse todo o continente.

REBOUÇAS, Lídia. In: Época Negócios, ago. 2008. (Fragmento adaptado)

No período “Em 1990, quando participava de um encontro..., Vanete estranhou o silêncio...” , a expressão “quando participava” pode ser substituída, sem alteração do sentido, por:

 

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