Com base na leitura do texto a seguir, responda à questão proposta.
Atualizo, logo existo
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Em vez de usar o Twitter para transmitir meus pensamentos sobre o Autoícone, de confessar o que eu comera no café da manhã daquele dia (salmão grelhado de novo, na elegante prisão de Oxford) ou de contar ao mundo meus planos de ver os quadros no Rijksmuseum de Amsterdam, no dia seguinte, fui cartesiano com minha plateia global.
"ATUALIZO, LOGO EXISTO", digitei com os polegares no Tweetie, aplicativo do meu BlackBerry Bold que permite enviar um tuíte a qualquer momento, de qualquer lugar.
Esses 21 caracteres de sabedoria digital piscarem para mim da tela, com aparente impaciência para ser impulsionados até a rede, onde o mundo pudesse vê-los. Mas meu polegar pairou acima do botão de enviar do BlackBerry. Eu não estava pronto para publicar aquele pensamento privado na rede pública. Pelo menos ainda não. Baixei os olhos novamente para a tela.
@ajkeen: ATUALIZO, LOGO EXISTO
Se essas palavras realmente forem verdadeiras, perguntei a mim mesmo, o que importa? O mundo inteiro, todos os 8 bilhões de seres humanos, teria de migrar - como colonos numa terra prometida da mídia social - para esse novo sistema nervoso central da sociedade? Qual seria o destino de nossas identidades quando todos vivêssemos sem segredos, totalmente transparentes e em público, dentro da arquitetura social que Reid Hoffman e Biz Stone estavam construindo para a humanidade? Olhei de novo para o falecido Bentham, o pai utilitarista do princípio da maior felicidade. Imaginei: aquela sociedade eletronicamente conectada resultaria em mais felicidade? Podia levar à melhoria da condição humana? Enriqueceria nossas personalidades? Poderia criar o homem à sua própria imagem?
Perguntas, perguntas, perguntas. Meu pensamento se dirigiu para os desconectados, aqueles desinteressados ou incapazes de viver em público. Isso disparou uma sensação de tontura, como se o mundo externo tivesse se acelerado e girasse cada vez mais depressa ao meu redor. Se, como o Sean Parker ficcional argumenta em A rede social, nosso futuro será vivido on-line, pensei comigo mesmo, qual então será o destino daqueles dissidentes, dos que não atualizam? Num mundo em que todos existem na internet, pensei, o que será daqueles que protegem sua privacidade, que se orgulham de sua ilegibilidade, que – nas palavras atemporais de Brandeis e Warren – só querem ser deixados sozinhos e em paz?
Fiquei pensando: estarão eles vivos ou mortos?
(Extraído de: KEEN, Andrew. Vertigem digital: Por que as redes
sociais estão nos dividindo, diminuindo e desorientando. Rio de
Janeiro: Zahar, 2012, p: 19-20)
No período "@ajkeen: ATUALIZO, LOGO EXISTO", o conectivo e elemento coesivo destacado introduz uma oração