Governo Federal e Banco Central irão monitorar endividamento dos brasileiros com apostas
Por Matheus Schuch
Preocupado com o que considera uma “pandemia” de apostas online, o Ministério da
Fazenda está elaborando junto ao Banco Central (BC) um mecanismo para monitorar o
endividamento das famílias brasileiras com as “bets” e outros tipos de jogos. A partir da
regulamentação do setor, que entra em vigor integralmente no ano que vem, o governo quer ter
dados precisos sobre o comprometimento da renda dos brasileiros com apostas. Além disso,
também discute iniciativas na área da saúde.
A regulamentação impõe uma série de regras às empresas, e um dos objetivos é evitar
estímulos que gerem dependência psicológica. Além de proibir o uso de cartão de crédito e outros
mecanismos para jogar “fiado”, o governo obrigará as empresas a monitorarem excesso de
gastos e de tempo de tela.
A falta de regras para o setor é apontada pela Fazenda como um dos principais motivos
para o mau uso dos jogos. Uma lei aprovada em 2018 permitiu a operação das bets, mas até o
ano passado não havia qualquer regulamentação.
— O Banco Central está criando trilhas onde você consegue, por meio de acompanhamento
e pesquisa com as pessoas, identificar se a porta de saída deste dinheiro tem sido, por exemplo,
as apostas. Com isso, teremos clareza muito maior e mais confiável se o endividamento tem
relação com as apostas e se isso está vazando para outros setores econômicos — explica o titular
da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena.
O secretário diz que levantamentos feitos recentemente por bancos e outras instituições
sobre o comprometimento da renda dos brasileiros com os jogos foram analisados na Fazenda e
mostram, de fato, casos graves de dependência. Os estudos geraram um alerta no governo.
Dudena pondera, contudo, que justamente por ainda não ser um mercado 100% regulado, os
números precisam ser vistos com ressalvas.
A partir de 1º de janeiro de 2025, somente empresas autorizadas poderão funcionar no país.
Até agora, o governo recebeu 120 pedidos de cadastro. Além de uma outorga de R$ 30 milhões,
cada empresa precisa apresentar em torno de cem documentos para avaliação e assina
compromisso com as regras definidas em lei.
A Fazenda estima arrecadar R$ 3,4 bilhões em 2024 com a regularização das bets. A
intenção é utilizar parte do acréscimo da receita no financiamento de políticas públicas que
desestimulem o vício em jogos. O Ministério da Saúde está envolvido em discussões para
promoção de campanhas informativas sobre os riscos da dependência, além da preparação de
profissionais da saúde para lidarem com a situação.
Para Dudena, o descontrole está ligado à demora para regulamentação. Isso deu margem
para a proliferação de empresas mal-intencionadas, que misturam apostas com fraudes. O
modelo aplicado no Brasil se baseia em experiências de países que já criaram regras há muitos
anos.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/matheus-schuch/noticia/2024/09/governo-federal-e-bancocentral-irao-monitorar-endividamento-dos-brasileiros-com-apostas-cm1av7g8a00yo0133fly0xdud.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
1. A expressão “A regulamentação” representa o sujeito da oração.
2. O sujeito da oração é classificado como simples.
3. O verbo “impõe” é um verbo transitivo indireto, pois possui complemento verbal que inicia com preposição.
4. A oração apresenta um adjunto adverbial.
O resultado da somatória dos números correspondentes às afirmações corretas é: