Texto
O VERDADEIRO MANDELA
Frágil, recluso, aos 91 anos, ele ainda é um símbolo que mantém seu país unido.
Seu biógrafo mostra o homem real.
“Nelson Mandela talvez seja o último herói puro do planeta. É o símbolo sorridente do sacrifício e da integridade, reverenciado por milhões como um santo vivo. Mas essa imagem é unidimensional. Ele seria o primeiro a lhe dizer que está longe de ser um santo – e isso não é falsa modéstia.
Nelson Mandela teve muitos professores em sua vida, mas o maior de todos foi a prisão. A prisão moldou o homem que vemos e conhecemos hoje. Ele aprendeu sobre a vida e a liderança a partir de muitas fontes: o pai distante; o rei de Thembu, que o criou como filho; seus amigos e companheiros leais, Walter Sisulu e Oliver Tambor; figuras históricas e chefes de Estado como Winston Churchill e Hailé Selessié; as palavras de Maquiavel e Tolstoi. Mas os 27 anos que passou na prisão tornaram-se o teste que o fortaleceu e consumiu tudo o que era insignificante. A prisão ensinou-lhe autocontrole, disciplina e foco – as qualidades que considera essenciais à liderança – e ensinou-lhe como se transformar num ser humano completo.
O Nelson Mandela que saiu da prisão aos 71 anos era um homem diferente do que entrou nela aos 44. Vejam essa descrição do jovem Mandela feita pelo seu amigo mais próximo e ex-sócio, Oliver Tambo, que se tornou líder do CNA enquanto Mandela estava na prisão. ‘Como homem, Mandela é entusiasmado, emotivo, sensível, facilmente melindrado ao rancor e à retaliação pelo insulto e pela condescendência.’ Emotivo? Entusiasmado? Sensível? Facilmente melindrado? O Nelson Mandela que saiu da prisão não é nenhuma dessas coisas, ao menos aparentemente. Hoje, ele consideraria todos esses adjetivos censuráveis. Realmente, uma das maiores críticas que ele dirige a alguém é que é ‘emotivo’ ou ‘muito entusiasmado’ ou ‘sensível’. Repetidamente, as palavras que o ouvi usando para elogiar os outros foram ‘equilibrado’, ‘ponderado’, ‘controlado’. O elogio que fazemos aos outros é um reflexo de como nos vemos – e aquelas são precisamente as palavras que ele usaria para descrever a si mesmo.
Como esse entusiasmado revolucionário tornou-se um homem de Estado ponderado? Na prisão, tinha de moderar suas respostas para tudo. Havia pouco que um prisioneiro pudesse controlar. A única coisa que você podia controlar – que você tinha de controlar – era você mesmo. Não havia lugar para o impulso, a autoindulgência ou a falta de disciplina. Ele não tinha zona de privacidade.”
Richard Stengel (Publicado na Revista Época Edição Especial – 24 de maio de 2010.
Assinale a alternativa em que as palavras são sinônimas.