Historicamente, deuses e deusas de ancestralidade afro-brasileira estão mais próximos de seus adoradores. Não estão no céu. Nessa cosmovisão, qualidades e defeitos aproximam deuses de seres humanos. Leia o texto a seguir e marque a questão.
Politeismo também é sagrado
No período pré-judaico, pré-cristão e pré-islâmico, a África já possuía diversificados sistemas socioculturais, diferentes crenças religiosas originais, estabelecia trocas político-econômicas e intercâmbios linguísticos em espaços geocivilizatórios próprios. O espaço do sagrado era dominante, estava presente em tudo.
E já que o sagrado está em tudo, aqui no Brasil, nas senzalas, os negros e as negras adaptaram, criaram condições sociais internas para perpetuarem elementos da matriz africana, essencialmente de forma espiritual. Noite a noite, as cerimônias comunitárias envolviam as mitologias, as lendas, as comidas, a música e as danças, as pinturas corporais, as máscaras esculpidas, os artefatos, as vestimentas, os instrumentos. Tudo em festas que traduziam a simbologia e faziam uma síntese da cosmovisão africana na recriação de ritos religiosos.
A maioria da população do Brasil se diz cristã, mas a cultura das religiões afro-brasileiras seduz boa parte dos brasileiros. Em situações de problemas que afligem as pessoas, essas procuram soluções e, muitas vezes recorrem às práticas religiosas das tradições afro-brasileiras. Até porque as tradições afro-brasileiras apresentam um universo sincrético muito rico, acolhe a todos. Basta lembrar-se das devotas de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santo Elesbão, Santa Efigênia, entre outros, que se organizavam em irmandades ou confrarias, ajudando muitos africanos
escravizados, forros e livres.
escravizados, forros e livres.
Se observarmos, o universo religioso no Brasil é diversificado, isso mostra a liberdade religiosa que as pessoas têm para fazer sua opção religiosa dentro da universalidade das divindades. É lamentável que, no Brasil, as religiões de matriz africana ainda sejam as mais perseguidas, sofrendo de intolerância religiosa marcada por violência, mortes e atitudes correlatas.
Fonte: MACHADO, Sátira Pereira. Politeismo também é sagrado. Jornal Mundo Jovem. Setembro/2015. Encarte vI. 7. n032.
"Politeísmo também é sagrado", título deste texto assim se refere por considerar, nesse caso, o politeísmo como: