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2971852 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IDIB
Orgão: COREN-PI
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Texto para as questões de 1 a 6.

O oxente e o ok

1 Com a chegada do complexo industrial e portuário do Pecém, a nossa cidade, São Gonçalo do Amarante, recebe

pessoas de todo o Brasil e até do exterior. Cada um traz consigo a cultura, o jeito de ser e de falar. A mistura de sotaques e

o uso de termos “estranhos” já são bem visíveis. O problema é que os que chegam aqui acreditam que falamos errado e os

moradores acham que o erro está no modo como os recém-chegados falam. Uma briga em que não há ganhadores, muito

5--menos perdedores.

A língua falada não é estática, imóvel; ela é viva e bem dinâmica. A prova disso é que, antes mesmo da colonização, já

havia variantes da fala no Brasil. Com a chegada dos portugueses, africanos e, posteriormente, outros povos, a variedade da

nossa fala passou a ter dimensões nacionais. Portanto, eu penso que a polêmica sobre o certo e o errado, acerca de como se

deve falar aqui, é uma discussão sem fundamento.

10 O preconceito linguístico é um equívoco, e tão nocivo quanto os outros. Segundo Marcos Bagno, especialista no

assunto, dizer que o brasileiro não sabe português é um dos mitos que compõem o preconceito mais presente na cultura

brasileira: o linguístico. Ele diz ainda que a confusão se faz entre a língua e a gramática normativa, que não é língua, mas

apenas uma descrição parcial dela. E que, se o domínio da norma-padrão fosse realmente um instrumento de ascensão na

sociedade, os professores de português ocupariam o topo da pirâmide social.

15 A norma-padrão deve ser ensinada, é uma competência importante para a cidadania, mas não deve dividir as pessoas

em dois grupos: os que sabem e os que não sabem falar direito. Julgar uma pessoa pela forma como ela fala é uma atitude

insensata.

Estima-se que o número de habitantes da nossa cidade será triplicado em uma década. Isso já é motivo suficiente para

que todos compreendam que haverá outras maneiras de dizer, sem que ninguém seja melhor ou pior. Quem chegar a um

20---restaurante da cidade e pedir aipim vai comer uma deliciosa macaxeira, herança dos Anacés – primeiros habitantes de São

Gonçalo do Amarante.

As nossas cuias de guabiraba terão de conviver bem com as cuias de chimarrão. “Não troco o meu oxente pelo ‘ok’

de ninguém”, disse o saudoso Ariano Suassuna, defendendo a sua fala regional. Mas ninguém precisa trocar nada. Ninguém

precisa, nem deve abrir mão da sua variante linguística. Fazê-lo é hipocrisia, a fala é a história da nossa vida, do nosso tempo

25--e do lugar onde vivemos.

O nosso município é um dos que mais crescem no Brasil, mas não queremos crescer apenas economicamente, não

queremos ser um povo vazio de tolerância e de conhecimento no que diz respeito a esse misto de falantes, a essa riqueza

imaterial. O nosso “oxente” é tão correto e maravilhoso quanto o “ok” de quem vier. Eu não vou deixar de ser eu mesma se

alguém me chamar de menina ou de guria. Além disso, quando se estigmatiza uma pessoa, prestigia-se outra, originando uma

30--exclusão social.

Diante desse intenso movimento migratório que estamos vivendo, a decisão mais sábia é acatar todo “uai”, “oxente”,

“tchê” e por que não o “ok”. Agora, somos todos são-gonçalenses, igualmente brasileiros.

Disponível em: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/12/texto-vencedor-de-olimpiada-nacional-critica-intervencao-na-praca-portugal.html. Acesso em: 03 jun. 2023. Adaptado.

Na passagem “A norma-padrão deve ser ensinada, ...” (linha 15), o vocábulo composto se grafa oficialmente com hífen. Há, da mesma maneira, um vocábulo escrito corretamente com hífen em

 

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