Ainda tem muito chão
Ao começar a ser implantado em 2002, o sistema de cotas prometia ser um impulso vital na direção do fim da desigualdade entre negros e brancos no ensino superior brasileiro. Graças às cotas, de fato, o número de negros universitários praticamente quadriplicou. Naquele ano, do total de jovens pretos e pardos entre 18 e 24 anos no Brasil, apenas 3,8% estavam nas universidades.
Passados quinze anos, a proporção subiu para 14% - o que é uma excelente notícia. Uma pesquisa inédita mostra, no entanto, que, apesar desse avanço louvável, a desigualdade racial no ensino superior praticamente não se alterou – na verdade, ela até cresceu.
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Desde a implantação das cotas, as matrículas nas escolas federais e estaduais – de negros e brancos – dobraram. Nas privadas, triplicaram. É nelas, hoje, que estão três de cada quatro universitários. A maior parte desse aumento de matrículas veio de financiamentos públicos, e quem se beneficia deles é a população branca. Isso explica porque a diferença se tornou ainda maior. Assim, a ideia de que a proporção de negros e brancos nas universidades seja igual à da população em geral acabou ficando mais distante.
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(Revista Veja, ed. 2587.)
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