Em 1819, o poeta John Keats, um expoente do movimento romântico, escreveu: “a verdade é bela e a beleza, verdade. Isso é tudo o que precisas saber em vida; tudo o que precisas saber”. (Perdoem-me pela tradução amadora.)
Aqui, podemos perguntar: qual a relação da matemática com a beleza? Matemáticos e físicos atribuem beleza a teoremas e teorias, criando uma estética da “verdade”. Os mais belos são aqueles que explicam muito com pouco.
Quando possível, os teoremas e teorias mais belos são também os mais simples: dadas duas ou mais explicações para o mesmo fenômeno, vence a mais simples. Esse critério é conhecido como a lâmina de Ockham, atribuído a William de Ockham, um teólogo inglês do século XIV.
Para os que creem na matemática como linguagem universal, essa estética leva à existência de uma única verdade, o que parece guardar relação com o monoteísmo judaico-cristão nas ciências. Melhor é defender a matemática como nossa invenção. Criamos uma linguagem para descrever o mundo, que não podemos deixar de achar bela.
Marcelo Gleiser. Folha de S.Paulo (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue o item que se segue.
O texto adquiriria um tom mais formal caso o trecho entre parênteses, no final do primeiro parágrafo, fosse substituído por Tradução minha ou Tradução do autor.