Quando discutimos a questão da vida em outros mundos, é essencial fazermos uma distinção clara entre criaturas vivas e criaturas vivas e inteligentes. Muita gente imagina que se houver vida num planeta ou na Lua, será inteligente. Ou, se ainda não for, mais cedo ou mais tarde será. Essa postura supõe que a vida necessariamente leva à inteligência, isto é, que a teoria da evolução de Darwin prevê que a inteligência seja o destino natural da vida: a vida começa simples, microbial, mas, uma vez que germina, eventualmente evolui até chegar a criaturas inteligentes. Essa é uma expectativa razoável. Afinal, foi o que ocorreu aqui. Sabemos que a inteligência oferece uma série de vantagens evolucionárias. Por exemplo, nós, como a espécie mais inteligente do planeta, controlamos o destino das outras espécies. Se quiséssemos, poderíamos matar todos os tigres que existem para fazer tapetes. (Ninguém disse que inteligência e sabedoria são a mesma coisa.) Dado que o objetivo central da vida é se reproduzir, não é óbvio que a inteligência seja o objetivo final na evolução das espécies?
Não é. A vida é um experimento contínuo, em que as espécies tentam sobreviver da melhor forma possível de acordo com a lei da seleção natural. A vida não tem um plano ou um objetivo final. (Em termos mais técnicos, ela não tem uma missão teleológica em que o objetivo final justifica os meios.) Quando uma espécie está bem adaptada ao ambiente em que existe, a maioria das mutações (que é o processo genético que permite que as espécies mudem) tem consequências devastadoras.
As mudanças (as ditas mutações) ocorrem aleatoriamente, quando a informação genética é passada de geração em geração. Como exemplo, considere o que ocorreu na Terra, onde a vida existe há pelo menos 3,5 bilhões de anos. Durante os primeiros 3 bilhões de anos, a vida era relativamente simples, composta apenas de seres unicelulares. Digo relativamente simples porque, mesmo com os seres unicelulares, houve uma mudança radical em complexidade quando as células procariotas sofreram mutações que, gradualmente, deram origem a células eucariotas. Mesmo que a transformação das células procariotas em eucariotas continue sendo um mistério, a vida se restringiu a seres unicelulares durante seus 3 bilhões de anos na Terra.
As mudanças em direção a formas de vida mais complexas começaram com a oxigenação gradual da atmosfera, graças à ação fotossintética de nossos ancestrais procariotas. Nós — assim como todos os animais multicelulares — devemos nossa existência a mutações acidentais que levaram bactérias unicelulares a consumir o gás carbônico que existia em abundância na atmosfera primordial da Terra e expelir oxigênio.
(A simples beleza do inesperado, 2016. Adaptado.)
“Quando uma espécie está bem adaptada ao ambiente em que existe, a maioria das mutações (que é o processo genético que permite que as espécies mudem) tem consequências devastadoras.” (2º parágrafo)
O conteúdo desse trecho poderia ser expresso, em forma de ditado popular, do seguinte modo: