ANTARES
Livro: Incidente em Antares (Érico Veríssimo). O tal incidente
ocorre em dezembro de 1963 – sim, às vésperas do golpe militar
–, na cidadezinha de Antares, quase fronteira do Rio Grande do
Sul com a Argentina. Com a participação dos coveiros numa
greve geral de trabalhadores, sete defuntos – entre eles, a
matriarca de uma família influente, um advogado corrupto, um
operário agitador torturado até a morte e uma prostituta – ficam
no cemitério aguardando seu enterro em vão. Cansados de
esperar, dirigem-se ao coreto da praça principal da cidade, onde
irão desencavar todos os segredos sujos dos moradores – quem
dorme com quem, quem roubou quem – até que os coveiros
façam seu trabalho.
Estamos na encruzilhada do realismo mágico com a comédia do
absurdo. Ainda assim, Veríssimo – sim, é o pai do Luís Fernando
– adiciona detalhes bem realistas à história, curiosamente pouco
mencionados nas narrativas de zumbi em geral: os mortos estão
apodrecendo. Expostos ao sol e às intempéries, eles fedem tanto
que, graças ao vento, o cheiro alcança as bandas da Argentina.
Urubus rondam a praça, os ratos saem da toca e as moscas
fazem a festa. Combinando isso aos outros podres que saem das bocas dos mortos, entende-se o desespero dos habitantes
de Antares com a situação.
(Adaptado. Disponível em: http://bit.ly/2m8fXsw)
: I. Mesmo sem conhecimento teórico sobre os assuntos, o leitor é levado a associar a ideia de realismo mágico e comédia do absurdo ao fato de mortos dirigirem-se ao coreto da praça principal da cidade, onde desencavam todos os segredos sujos dos moradores. II. Infere-se do texto que, ao contar os segredos da população, os mortos-vivos a torna refém de seus próprios atos. Isso porque, de certa maneira, as pessoas temem ao que sai da boca dos mortos. III. De acordo com o texto, o romance "Incidente em Antares" descreve a rotina pacata da vida dos trabalhadores de uma vinícola no Rio Grande do Sul. Nessa obra de Luís Fernando Veríssimo, são descritas cenas do cotidiano ao mesmo tempo em que se põem em questionamento os princípios morais da sociedade riograndense da época, conforme afirma o texto. IV. O termo “podres” recebe um duplo sentido. O primeiro deles está associado à condição física dos cadáveres, enquanto o segundo refere-se à intimidade dos habitantes de Antares.
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