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3480715 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: PREVIFOR-MG
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Você já foi criticado alguma vez por reclamar de algo? Tem ganhado espaço na sociedade uma censura à reclamação. É como se pessoas devessem banir todo e qualquer sentimento que não seja ligado a uma ideia um pouco mítica do que seria felicidade – como se felicidade devesse ser somente os sentimentos e as vivências positivas, prazerosas e satisfatórias. Essa, porém, não é a realidade, quando a gente pensa no sentido de uma saúde mental e do que é natureza da vida mental.

Por mais que seja normal ter pensamentos negativos, raiva, irritação e verbalizar por meio da reclamação, muita gente despreza tudo isso e diz que temos apenas que agradecer, pensar positivo e não reclamar, em todas as situações da vida. Agir assim, no entanto, não resolve o problema e pode até piorar, pois a pessoa acaba sufocando o que não está lhe fazendo bem. Quando algo nos incomoda e falamos sobre isso, essa reclamação se torna um desabafo, e são coisas normais que devemos aprender a aceitar. Ao reclamar, fazemos uma função psicológica muito importante que é a catarse, quando purificamos nossos sentimentos liberando os sentimentos que nos afligem. Colocar essa energia para fora torna a reclamação algo positivo.

Estar em acordo com a experiência mental legítima daquilo que a gente vive em relação aos sentimentos, acontecimentos e experiências com o outro é fundamental, e reclamar é uma parte disso. Poder expressar o que sente é o que vai determinar uma maturidade mental. Reclamar é poder estar em sintonia com a realidade psíquica, pois demonstra autenticidade e legitimidade com aquilo que se é, independentemente de qual é a natureza do afeto implicado. Manter somente atitudes positivas, de acordo com os especialistas, é um erro. Ter pensamentos e emoções consideradas negativas é natural e todos temos. Além disso, represar a reclamação e os sentimentos ligados a ela acaba criando sintomas prejudiciais à saúde mental.

Quando a pessoa não exprime sua insatisfação, não reclama ou desabafa, isso pode desencadear, por exemplo, uma situação na qual a pessoa acumula episódios contínuos de não ser ela mesma, não expressar o que ela sente, não ser autêntica consigo mesma. Isso gera um represamento de emoções e em algum momento essa pessoa pode não suportar mais. Por isso, vemos muitas vezes situações extremistas, de agressividade, violência aparentemente sem um sentido, mas que são frutos de um contínuo processo de substituição de sentimentos legítimos de insatisfação e frustração.

Se o excesso de positividade é prejudicial, o oposto também é danoso. Ninguém gosta de ficar perto de um reclamador inveterado. Qual é então o limite saudável de reclamações? Depende do quanto ela se repete e quais aspectos que ela toma da sua vida, ou seja, se é muito frequente e se atrapalha nas suas tarefas diárias. Nos últimos tempos, a tendência é banir os chamados aspectos negativos, como pensamentos, reclamações e sentimentos equivalentes, mas eles são necessários, pois são responsáveis pelo equilíbrio da vida mental.

Abafar esses sentimentos ditos negativos acaba criando sintomas de doenças. O que aparentemente seria para melhorar a sociedade torna-se uma doença social, que inicialmente é uma doença de cada pessoa que tenta cumprir esse lugar de ter que ser feliz a qualquer preço, quando, na verdade, é a tentativa de se aproximar de padrões que não condizem com a realidade da saúde mental humana.

Por isso é preciso diferenciar uma reclamação associada à expressão de uma frustração, medo ou decepção por algo ou alguém. Muita gente pensa que a depressão vai aparecer de uma forma muito característica, caricata, em que a pessoa vai ficar triste, se fechar no quarto, não vai falar com os outros. Essa é uma das formas de depressão, mas existem outras, e muitas vezes a irritação permanente, a reclamação contínua e uma insatisfação com tudo podem estar comunicando algo sobre essa pessoa.

Para uma boa saúde mental, manter o equilíbrio é fundamental. A vida tem altos e baixos, aceitar isso é uma atitude madura. Se não houver momentos ruins, não saberemos dar valor aos bons momentos. Essa dualidade nos ensina a ser críticos, a saber a diferença do que é bom e do que é ruim. Quando nivelamos tudo, deixamos passar momentos bons por não sabermos o quanto eles nos são bons, assim como não valorizamos os aprendizados dos momentos ruins.

(Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/

2020/02/22/ recla mar-e-importante-para-desabafar-frustracoes-veja-quando-viraexagero. htm. Acesso em: 27/02/ 2020.)

No excerto “É como se pessoas devessem banir todo e qualquer sentimento que não seja ligado a uma ideia um pouco mítica do que seria felicidade (...)”, o vocábulo sublinhado poderia ser substituído por seu sinônimo:

 

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