Quando o destino levou Jose Alcino, o marido, ao seu encontro, Donana não teve dúvidas de que se abrigaria debaixo do chapéu que o protegeu do sol durante a longa travessia que havia feito. José migrou das cercanias do Recôncavo para a Chapada, atraído pela promessa de riqueza, vinda das notícias de exploração de diamante. Tão logo chegou à região, viu que a sanha pela pedra havia transformado a terra num horizonte de lutas e de bandos armados guiados por coronéis que enriqueciam às custas do sangue e da loucura dos que se entregavam à sorte do garimpo. O homem, então, deitou sua sacola com seus poucos objetos e duas mudas de roupa no chão onde Donana vivia. Decidiu fazer o que havia aprendido com seus pais, o que o havia sustentado até o momento da partida e durante o caminho em que seguiu para chegar à Chapada. José Alcino pediu uma enxada e mostrou que sabia trabalhar a terra. Pediu morada na mesma fazenda onde minha avó vivia cativa, sem nunca ter tentado deixar seus tutores, trabalhando pelo que comia. Construiu uma casa de barro, cobriu com junco, fez amizade com o capataz que havia criado Donana. Com o tempo, disse que precisava de companhia, que queria família e não podia viver sozinho. Notou que a moça não parava de olhar para o seu chapéu, e mesmo evitando seus olhos, a levou para casa.
(VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019)
Assinale a alternativa que apresenta interpretação do texto adequada à norma-padrão da língua portuguesa quanto à regência nominal.