Magna Concursos
616300 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Entre os muitos méritos dos nossos livros, nem sempre figura o da pureza da linguagem. Não é raro ver intercalados em bom estilo os solecismos da linguagem comum, defeito grave, a que se junta o da excessiva influência da língua francesa. Esse ponto é objeto de divergência entre os nossos escritores. Divergência, digo, porque, se alguns caem naqueles defeitos por ignorância ou preguiça, outros há que os adotam por princípio, ou antes, por uma exageração de princípio.

Não há dúvida que as línguas aumentam e se alteram com o tempo e as necessidades dos usos e costumes. Querer que a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao de afirmar que a sua transplantação para a América não lhe inseriu riquezas novas. A este respeito, a influência do povo é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, locuções novas, que de força entram no domínio do estilo e ganham direito de cidade.

Mas, se isto é um fato incontestável, e se é verdadeiro o princípio que dele se deduz, não me parece aceitável a opinião que admite todas as alterações da linguagem, ainda aquelas que destoem das leis da sintaxe e da essencial pureza do idioma. A influência popular tem um limite; e o escritor não está obrigado a receber e dar curso a tudo o que o abuso, o capricho e a moda inventam e fazem correr. Pelo contrário, ele exerce também uma grande parte de influência a este respeito, depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.

Machado de Assis. O jornal e o livro. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p.25-6.

Com relação às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue o item.

O conector “Mas” estabelece relação de oposição entre a ideia principal do segundo parágrafo e a do terceiro, visto que, neste, Machado de Assis defende a “essencial pureza do idioma” e, naquele, admite que a “influência do povo é decisiva” no processo de mudança da língua. O emprego do pronome indefinido “certos” e da expressão “direito de cidade” são indícios da posição purista do autor, a qual é ratificada pelo emprego da palavra “abuso”.

 

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