Leia o texto para responder às questões de números 04 a 06.
Com seu milhão e meio de habitantes, Santiago está do tamanho em que uma cidade já não tem a monotonia de uma cidade pequena e ainda não tem os problemas aflitivos de uma cidade grande. Vida social animadíssima, todo mundo parece gostar de se reunir, beber (muito) e principalmente dançar. Como dança o chileno! Não é um nem outro, é todo mundo que dança, bem ou mal, gordo ou magro, moço ou velho, e muito, e com uma grande alegria. Para mim, que danço muito mal, o Chile tem esta vantagem: aqui, se me dá na veneta, posso dançar à vontade, porque todo mundo está dançando e ninguém repara no sem-jeito. A vida noturna é relativamente animada e, em comparação com o custo da vida, muitas vezes mais barata que no Brasil, o país das boates caríssimas.
Os santiaguinos se queixam às vezes do transporte difícil, das complicações e problemas da vida urbana... Queixam-se de barriga cheia. Para quem vem do Rio, tudo aqui é fácil e ameno, encontrar o ônibus elétrico, o ônibus, o pequeno lotação que eles chamam de liebre, o táxi muito mais barato que no Brasil. E também arrumadeira, cozinheira, jardineiro que vem uma vez por semana – porque a grande, a pequena burguesia de Santiago se dá ao luxo de viver em casas, com jardim, quintal, galinheiro. Mora em apartamento quem quer, ou quem deseja viver exatamente no centro; os bairros residenciais são perto do centro e são bem arborizados, com seus largos canteiros de grama no passeio, com pequenas pracinhas ajardinadas de vez em quando – com muito mais verde, muito mais sossego e beleza, muito mais espaço que o bairro mais grã-fino do Rio de hoje, aquele que fica além do canal do Leblon. Há, certamente, como também no Brasil, muita miséria nos bairros pobres, e o frio faz a pobreza mais dolorosa; mas a classe média tem muito mais conforto e mais folga. Por isso, talvez, o homem da rua seja tão delicado, tão cordial, tão gentil para qualquer forasteiro, e tão frequentemente faz uma observação engraçada e amiga – assim como era o carioca há uns vinte e tantos anos.
(Rubem Braga. Cidade. https://cronicabrasileira.org.br, 28.04.1955. Adaptado)
De acordo com informações presentes no texto, é correto afirmar que