Leia o artigo de opinião de André Barcinski.
O futuro chegou – e não é nada bonito
1 Em 2008, Chris Anderson, na época editor da revista de tecnologia Wired, lançou um livro muito influente, “A Cauda Longa”, no qual dizia que a imensa oferta de produtos na Internet acarretaria em uma democratização de vendas e de informação. A tese fazia sentido: mesmo que as grandes corporações tivessem meios mais eficientes de vender suas mercadorias, o consumidor acabaria encontrando maneiras de adquirir o que quisesse. Anderson era um otimista.
2 Mas não levou nem sete anos para sua ideia se mostrar furada. Uma nova publicação, Culture Crash, de Scott Timberg, mostra que os sonhos utópicos da democracia digital viraram pó. A obra, cujo subtítulo é “A Morte da Classe Criativa”, prova, por dados, que nunca se leu tão pouco, que os lucros de vendas de livros e discos nunca foram tão injustamente divididos, e que toda a classe artística – de pintores a músicos, de cineastas a arquitetos, de jornalistas a escritores – nunca viveu tão mal e ganhou tão pouco.
3 Segundo Timberg, as únicas favorecidas no tsunami digital que varreu o mundo na última década foram as empresas de tecnologia. A tão propagada era de informação livre e com acesso direto ao consumidor, que fez muita gente acreditar num mundo ideal para os artistas, sem a interferência de gravadoras e intermediários, não aconteceu.
4 Em vez disso, o que temos é um mundo cada vez mais ignorante e homogêneo. [...] O percentual de norte-americanos que creem que o aquecimento global é resultado da interferência humana caiu de 75%, em 2001, para 44%, em 2012. Índices de leitura e interesse em cultura chegaram aos níveis mais baixos já registrados. As pessoas nunca foram tão mal informadas sobre política e temas sociais.
5 O futuro chegou. E é bem diferente daquele pintado pelos arautos da revolução digital.
Disponível em: <http://www.azulmagazine.com.br/v1/?p=9915> Acesso em: 28 nov. 2017.
O verbo “aconteceu”, ao final do terceiro parágrafo, está flexionado de acordo com a variedade padrão, pois concorda com o termo: