A questão refere-se ao texto abaixo.
Sermão da Sexagésima (fragmento)
O sermão há-de ser de uma só cor, há- de ter um só objecto, um só assunto, uma só matéria.
Há-de tomar o pregador uma só matéria; há defini-la, para que se conheça; há - de dividi-la, para que se distinga; há-de prová-la com a Escritura; há-de declará-la com a razão; há-de confirmá-la com o exemplo; há-de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão-de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar; há-de responder às dúvidas, há-de satisfazer às dificuldades; dificuldades; há-de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos contrários; e depois disto há-de colher, há-de apertar, há-de concluir, há-de persuadir, há -de acabar. Isto é sermão, isto é pregar; e o que não é isto, é falar de mais alto.
(Padre Antônio Vieira, Sermões Escolhidos, São Paulo: Edameris, v.2, 1965.)
Dadas as proposições a seguir sobre o texto do Pe. Antônio Vieira,
I. A respeito da tipologia textual, o excerto acima pode ser caracterizado como predominantemente expositivo, pois nele o objetivo fundamental é a caracterização do serão.
II. Como parte de um texto predominantemente injuntivo, o excerto dá instruções que deverão ser seguidas por quem pretenda produzir com eficiência e eficácia um sermão.
III. Não há, no texto, emprego de aspectos argumentativos, mas uma série de prescrições cuja validade se assenta na autoridade do pregador como alguém responsável pelo ensino da doutrina religiosa.
IV. Infere-se da leitura do texto, que o sermão, por estar restrito às manifestações religiosas de uma época, não diz mais respeito ao que se espera, atualmente, da pregação.
V. O emprego dos pronomes demonstrativos no último parágrafo do texto é dêitico, porque atrela o discurso à pessoa do enunciador – o pregador –, e não anafórico, pois, nesse caso, o correto seria o emprego da forma pronominal isso.
verifica-se que