Magna Concursos
2090810 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Legalle
Orgão: Pref. Cachoeirinha-RS
Provas:

Para responder às questões de 01 a 10, leia o texto abaixo.


Interferência do Tempo

  • Há quem diga que o tempo não existe, que somos
  • nós que o inventamos e tentamos controlá-lo com
  • nossos relógios calendários. Nem ousarei discutir
  • essa questão filosófica, existencial e cabeluda. Se o
  • tempo não existe, eu existo.Se o tempo não passa, eu
  • passo. E não é só o espelho que me dá a certeza disso.
  • O tempo interfere no meu olhar. Lembro do
  • colégio em que estudei durante mais de uma década,
  • meu primeiro contato com o mundo fora da minha
  • casa. O pátio não era grande - era colossal. Uma
  • espécie de superfície lunar sem horizontes à vista,
  • assim eu o percebia aos sete anos de idade. As
  • escadas levavam ao céu, eu poderia jurar que elas
  • atravessavam os telhados. Os corredores eram
  • passarelas infinitas, as janelas pareciam enormes
  • portões de vidro, eu me sentia na terra dos gigantes.
  • Volto, depois de muitos anos, para visitá-lo e descubro
  • que ele continua sendo um colégio grande, mas nem o
  • pátio, nem os corredores, nem as escadas, nada tem
  • o tamanho que parecia ter antes. O tempo ajustou
  • minhas retinas e deu proporção às minhas ilusões.
  • A interferência do tempo atinge minhas emoções
  • também. Houve uma época em que eu temia certo tipo
  • de gente, aqueles que estavam sempre a postos para
  • apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas,
  • e a sensação que me causam não é nem um pouco
  • desafiadora. E mesmo os que amei já não me
  • provocam perturbação alguma, apenas um carinho
  • sereno. Me pergunto como é que se explica que
  • sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva
  • se desintegrem. Alguém era grande no meu passado,
  • fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo,
  • dando a devida proporção aos meus afetos e
  • desafetos.
  • Talvez seja esta a prova da sua existência: o
  • tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da
  • infância, que exigia muitas pedaladas para ser
  • percorrida, hoje é atravessada em poucos passos.
  • Uma árvore, que para ser explorada exigia uma certa
  • logística - ou ao menos um "calço" de quem estivesse
  • por perto e com as mãos livres-, hoje teria seus galhos
  • alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo
  • do tamanho que é, sem a condescendência da
  • fantasia. E ainda nem mencionei as coisas que
  • realmente foram reduzidas: apartamentos que
  • parecem caixotes, carros compactos, conversas
  • telegráficas, livros de bolso, pequenas salas de
  • cinema, casamentos curtos. Todo aquele espaço da
  • infância, em que cabia com folga nos a imaginação e
  • inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao
  • mínimo a uma vida funcional. Eu cresci. Por dentro e
  • por fora' (e, reconheço, pros lados). Sou gente grande,
  • como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa
  • volta virou aldeia somos todos vizinhos, todos
  • vivendo apertados, financeira e emocionalmente
  • falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma
  • esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho
  • do futuro - quando o futuro também era infinito à nossa
  • frente.

  • Autor: Martha Medeiros (adaptado).

Com base na grafia e no número de fonemas de vocábulos do texto, analise as assertivas e julgue V, para as verdadeiras, ou F, para as falsas.

( ) inventamos (l. 2) apresenta dois dígrafos vocálicos.

( ) telhados (l. 14) apresenta um dígrafo consonantal e 7 fonemas.

( ) corredores (l. 14) e filosófica (l.4) apresentam, respectivamente, 9 e 10 fonemas.

( ) Tanto pergunto (l.29) quanto fraquezas (l.25) apresentam dígrafos consonantais em suas composições.

Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?

 

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