Magna Concursos
52977 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: SEFAZ-RS

A questão refere-se ao texto abaixo.

Aeroporto para alienígena, sinalização de chifre de boi, multa para motorista morto no trânsito... O que explica o fato de nossos legisladores perderem tempo com leis desse nível?

Quando o assunto é lei absurda, o primeiro país que vem .......... mente são os Estados Unidos, onde já se legislou a respeito da proibição de pescar montado em uma girafa (!) ou de ser preso num domingo ou feriado de 4 de julho - curiosamente, ninguém determinou que nessas datas os delitos estariam suspensos. Mas por aqui as coisas não são muito diferentes.

O texto do "novo" Código de Trânsito (de 1998) precisou ser alterado de última hora porque um de seus artigos, o que estipulava multa aos motoristas envolvidos em acidente de trânsito que se recusassem a realizar exame de teor alcoólico, punia inclusive os mortos. Em Barra do Garças, Mato Grosso, o ex-prefeito e ex-governador do Estado Wilmar Peres de Farias (PPS) chegou a propor .......... construção de um aeroporto para discos voadores na cidade. E que tal o projeto de lei de José Filho (sem partido), quando vereador de Quixeramobim, Ceará, exigindo que caudas de animais fossem pintadas de amarelo fluorescente a fim de evitar atropelamentos? Melhor que isso só um colega de Câmara que apresentou uma emenda determinando também a "sinalização" em chifres, cascos e orelhas. Isso sem mencionar os incontáveis projetos de lei que mudam nomes de ruas, escolas, aeroportos etc., ou estipulam datas comemorativas, como o Dia do Vaqueiro, o Dia da Oração, o Dia do Karatê.

A pergunta que fica é: será que os legisladores não têm mais o que fazer? ISTOÉ Online ouviu cientistas políticos em busca desta resposta. Foram levantadas pelo menos três razões.

Uma primeira resposta possível aos projetos de lei que, no mínimo, soam estranhos é o acerto de contas do político com seu eleitorado. "O voto no Brasil é personalizado. Para conseguir se eleger, um deputado certamente estabeleceu vínculos com eleitores de determinada região, determinado grupo econômico, determinada profissão. E tem que retribuir o apoio. É a regra do jogo", afirma o cientista político Carlos Ranulfo, professor da UFMG.

Outro ponto a ser analisado é a cultura do "mostrar serviço" que se instalou no País. A opinião pública, motivada pela imprensa, criou a impressão de que legislador que não apresenta projeto é incompetente. O consultor político Murillo Aragão alerta que tal análise é superficial: "Tancredo Neves foi um dos parlamentares mais influentes da história da política brasileira e raramente fazia discurso, quase nunca apresentava projeto de lei".

David Fleischer, professor da Universidade de Brasília, acrescenta mais um ingrediente .......... receita que resulta em propostas estapafúrdias: a falta de conhecimento da Constituição, tanto por parte dos legisladores quanto por parte do eleitorado. "Em princípio , as Comissões de Constituição e Justiça do Senado e da Câmara têm assessores em direito constitucional que podem flagrar e barrar as idéias que fogem .......... Constituição. Já nas Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores é mais difícil ter esse serviço, principalmente em municípios pequenos", explica.

Ao eleitor também sobra sua parcela de culpa. Afinal, não dá para acreditar em prefeito que promete aumentar o salário mínimo. É engraçado como os eleitores desqualificam os representantes e esquecem que todos eles, sem exceção, estão ali porque votamos neles.

Adaptado de: Boscoli, Cláudia Zucare. Cuidado, isso pode virar lei. Isto é, 05/07/2006. http://www.istoe.com.br.

Se a expressão um deputado fosse substituída por deputados, quantos outros vocábulos da frase também deveriam obrigatoriamente ser pluralizados?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Agente Fiscal do Tesouro do Estado

219 Questões