Magna Concursos
408344 Ano: 2015
Disciplina: Psicologia
Banca: FAU-UNICENTRO
Orgão: Pref. Godoy Moreira-PR
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Em saúde mental em trânsito, José Sterza Justo delineia o conceito de “errância”, afirma o autor que essencialmente o que a sociedade atual estabelece ao ser humano não é apenas a obrigação de movimentação, de deslocamentos sócios geográficos temporários, sazonais ou peremptórios, tal como aconteceu em outros períodos sob a forma de grandes migrações. Trata-se, hoje, de uma condição de "errância", ou seja, deslocamentos incessantes sem uma orientação "certa” ou uma direção minimamente determinada.
As instituições tradicionais estruturadas em espaços fechados (fábricas, família, prisões, manicômios, asilos) estão sendo desmembradas e o sujeito, erradicado de espaços psicossociais fixos e estáveis, está sendo alocado em espaços abertos e posto em constante movimento. Com a ameaça da extinção do Estado paternalista, materializa-se a rescisão de seu contrato com os cidadãos. Eximindo-se cada vez mais de suas responsabilidades sociais, dentro da disposição natural do neoliberalismo, a minimização do
Estado pode ser ponderada como outro fator da produção da “errância”. Segundo o autor, a constituição do Estado moderno pautou-se pela imposição de unidades arbitrárias (desprendidas de quaisquer contornos culturais ou de tradições preexistentes), governadas pela irracionalidade econômica ou política, equiparando e homogeneizando, à força, uma miríade de diferenças e variações particularidades da experiência humana. O homem contemporâneo, afinal, tornou-se um degredado, um estrangeiro dentro de imediações mundanas que lhes foram impostas à sua revelia. A desterritorialização ou a condição de "errante" do homem moderno abarca distintos aspectos da vida. Na esfera do trabalho, por exemplo, com a crescente provisoriedade no emprego calcada em modalidades de contrato de trabalho mais transitórios e que buscam impedir o estreitamento do vínculo do trabalhador com a empresa. A reivindicação de movimentação constante ou em breves espaços de tempo obsta qualquer forma de constância e permanência da pessoa em algum lugar. Constitui vínculos afetivos e sociais bastante abreviados, pois a “errância” não se une com conexões afetivas estáveis e duradouras. A sobrevivência na condição de “errância” é mais complicada em grupo (uma família, um casal, por exemplo) e, assim, inviabiliza vínculos mais prolongados.
Em constante movimento, o sujeito distancia-se de seus valores, crenças, hábitos e costumes ligados à sua origem e se sujeita a um universo cultural polimorfo. Em muitos casos, o choque causado é insuportável (JUSTO, 2000). Assim, segundo o autor, seriam basicamente três aspectos da vida moderna impactadas pelo fenômeno da “errância”:
 

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