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2563568 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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O apetite Insaciável
Victor Nell

Parece incrível: a facilidade com que afundamos nos livros e, quase sem perceber, transformamos páginas vociferantes em sonhos silenciosos (Gass, 1972, p. 27).

Não estamos agora de posse de uma lista completa dos componentes de habilidade de leitura, mas a informação que temos atualmente converge na direção de tal catálogo... Além disso, hoje é possível afirmar como os componentes da habilidade de leitura interagem e como eles formam uma hierarquia, levando ao efetivo desempenho total de leitura (Carroll, p. 18).

Ler por prazer é uma atividade extraordinária. Os símbolos negros sobre a página branca são silenciosos como um túmulo, descoloridos como o deserto enluarado; porém eles dão ao leitor qualificado um prazer tão agudo quanto o toque de um corpo amado, tão vibrante, colorido e transfigurante como ninguém lá fora no mundo real. E, contudo, quando mais excitante o livro, mais silencioso o leitor; o prazer de ler gera uma concentração tão fácil, que o absorto leitor de ficção (transportado pelo livro para algum outro lugar e protegido por ele de distrações), o qual é tão frequentemente injuriado como escapista e denunciado como vítima de um vício tão pernicioso quanto beber pela manhã, deveria ser invejado por todo estudante e todo professor.

Estas são as maravilhas sem precedentes da leitura: o poder dos livros em criar mundos e a fácil absorção do leitor, a qual permite que o frágil mundo do livro, todo ar e pensamento, mantenha-se por um instante, uma casa de bambu e papel entre terremotos; dentro dele os leitores adquirem paz, tornam-se mais poderosos, sentem-se mais bravos e mais sábios pelos caminhos do mundo.

A absorção pode, às vezes, aprofundar-se a ponto de tornar-se um transe, cujos sinais são uma maior resistência à interrupção e o momentâneo atordoamento do leitor ao sair desse transe, que é comparado a alguém despertando de um sonho. “Oh”, diz o leitor, meio apologeticamente, “eu estava tão aprofundado no livro!” – e, na verdade, uma pessoa saindo de um transe de leitura parece estar emergindo das profundezas, ou retornando de um lugar. A absorção parece acompanhar toda leitura prazerosa, mas o transe é menos comum e lembra um estado alterado de consciência: devaneio, sonho, ou talvez mesmo hipnose. Nem a absorção nem o transe estão restritos à ficção: os registros finais nos diários do Capitão Scott podem transportar um leitor para a imensidão da gelada Antártida tão seguramente quanto qualquer novela ou conto; e o relato de jornal do descarrilamento de um vagão-tanque que libera vapores venenosos na direção de uma comunidade adormecida pode arrebatar-nos tão completamente quanto qualquer história de um desastre imaginário. Nem uma narrativa não-ficcional (viagem, biografia) parece ser, em nenhum aspecto, diferente da ficção nos efeitos que produz sobre o leitor. Contudo, a ficção é o veículo mais comum de leitura prazerosa e, da mesma forma, ocupará a maior parte de nossa atenção.

A leitura prazerosa é um jogo divertido: é uma atividade livre, esperando do lado de fora da vida comum; ela absorve o jogador completamente, é improdutiva e ocorre dentro dos limites especificados de espaço e de tempo (Caillois, 1958; Huizinga, 1938/1950), a “leitura lúdica”, do Latim ludo, significado “Eu brinco” (Stephenson, 1964), é, portanto, uma caracterização útil de leitura prazerosa, lembrando-nos de que ela é essencialmente uma atividade recreativa, intrinsecamente motivada e geralmente paratélica, ou seja, envolvente em seu próprio interesse (Apter, 1979; Deci, 1976). Os leitores lúdicos, em geral, descrevem-se como viciados em leitura e eles, de fato, passam grande parte do tempo lendo uma quantidade de livros. Alguns leem dez livros por semana, outros até mais. Como procedimento conveniente, o termo leitor lúdico está aqui reservado para aqueles que leem pelo menos um livro por semana.

Victor Nell
INCENTIVANDO O AMOR PELA LEITURA
Porto Alegre; Artmed, 2001. p. 53 e 54.

O termo que não se refere, no decorrer do texto II, à leitura é o da alternativa:

 

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