1 O interesse fundamental do dono de escravos era obter
destes o maior rendimento possível, visando ao maior lucro.
Como maximizar a produção de um escravo? Imagine-se um
4 caso simples: a produção consistiria em cavar buracos, e cada
escravo poderia cavar, digamos, cinco buracos por hora. Para
obter o máximo de produção, bastaria garantir que cada
7 operário trabalhasse o maior número possível de horas. No
caso da mão de obra escrava, esse objetivo poderia ser
facilmente atingido por um feitor que organizasse e controlasse
10 a produção. Pela coação do chicote, ele faria que os escravos
trabalhassem o número de horas desejado, com a intensidade
desejada. De fato, era comum que os escravos tivessem
13 jornadas de trabalho próximas do máximo biológico — algo
como dezoito horas —, nos engenhos e cafezais brasileiros,
especialmente em picos de produção, como na colheita. Isso
16 aponta para uma lógica do tratamento coercitivo. Pode ser
difícil obter de um assalariado rendimento equivalente ao de
um trabalhador escravo — a não ser mediante um salário tão
19 alto que prejudicasse o lucro do patrão. Assim, em igualdade
de condições, o trabalho escravo é mais produtivo que o
trabalho livre, em determinados tipos de tarefa. A coerção
22 garante esse resultado e tem, portanto, um significado
econômico.
Flávio Versiani. A lógica econômica do trabalho escravo.
In: Darcy, nov.-dez./2010, n.o 5 (com adaptações).
Acerca de aspectos estruturais e interpretativos do texto acima, julgue os itens 7 e 8.
A expressão “esse objetivo” (l.8) refere-se ao resultado final obtido por meio da maximização da produção de um escravo.