Na semana passada, um telejornal exibiu umam a té ria sobre a “ morte ” das lâmpadasincandescentes. O (ótimo) texto do repórtercomeçava assim: “A velha e boa lâmpadaincandescente, mais velha do que boa...”. Hábil comas palavras, o repórter desfez a igualdade que aconjunção aditiva “e” estabelece entre “velha" e “boa”e instituiu entre esses dois adjetivos uma relação decomparação de superioridade, que não se dá daforma costumeira, isto é, entre dois elementos (“A ruaX é mais velha do que a Y”, por exemplo), mas entreduas qualidades (“velha" e “boa”) de um mesmoelemento (a lâmpada incandescente). Ao dizer “maisvelha do que boa”, o repórter quis dizer que a tallâmpada já não é tão boa assim. Agora suponhamosque a relação entre “velha” e “boa” se invertesse.Como diria o repórter: “A velha e boa lâmpadaincandescente, mais boa do que velha...” ou “A velhalâmpada incandescente, melhor do que velha...”?Quem gosta de seguir os burros “corretores”ortográficos dos computadores pode se dar mal. Omeu “corretor”, por exemplo, condena a forma “maisboa do que velha” (o “mestre” grifa o par “mais boa”).Quando escrevo “melhor do que boa”, o iluminado medeixa em paz. E porque ele age assim? Por que, paraele, não existe “mais bom”, “mais boa"; só existe“melhor”.
NETO, Pasquale Cipro. Folha de S. Paulo, 11 jul. 2013
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