Texto VII, para responder às questões 29 e 32.
As cousas do mundo
1 Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa.
4 O velhaco maior sempre tem capa.
Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
7 Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.
A flor baixa se inculca por tulipa;
10 Bengala hoje na mão, ontem garlopa:
Mais isento se mostra o que mais chupa.
Para a tropa do trapo vazo a tripa,
13 E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.
Gregório de Matos. Seleção: poemas escolhidos.
José Miguel Wisnik. São Paulo: Cultrix, 1975.
Gregório de Matos, um dos primeiros grandes poetas do Brasil, atinge grande repercussão, principalmente quando aborda questões locais por meio de sátiras afiadas que lhe renderam o apelido de Boca do Inferno. No poema As cousas do mundo, percebe-se