Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo de saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar.
A que eu conhecia era a Rosa do Marciano, muito ordinária. Havia conhecido também a Germana e outras dessa laia. Por elas eu julgava todas. Não me sentia, pois inclinando para nenhuma: o que sentia era desejo de preparar um herdeiro para as terras de S. Bernardo.
Tentei fantasiar uma criatura alta, sadia, com trinta anos, cabelos pretos – mas parei aí. Sou incapaz de imaginação, e as coisas boas que mencionei vinham destacadas, nunca se juntando para formar um ser completo. Lembrei-me de senhoras minhas conhecidas: d. Emília Mendonça, uma Gama, a irmã de Azevedo Gondim, d. Macela, filha do dr. Magalhães, juiz de direito.
(RAMOS, Graciliano. São Bernardo, Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 67)
Em “Lembrei-me de senhoras minhas conhecidas” (3º§), nota-se um exemplo de registro formal no emprego do verbo. Nesse sentido, conclui-se que a presença da preposição “de” justifica-se por uma questão de:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Analista de Departamento Pessoal
50 Questões
Jornalista
50 Questões