Magna Concursos
2116308 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Rio de Janeiro
Orgão: Col.Mil. Rio Janeiro

Quando refletimos sobre a RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E TRABALHO INFANTIL, uma das primeiras perspectivas que se abre é a de crianças e adolescentes em trabalho infantil em virtude da necessidade de subsistência de suas famílias. No entanto, o precário acesso à Educação não se reduz a essa ótica, tendo também outras vertentes passíveis de análise crítica. Desse modo, a escolha desse tema se dá pelo desejo de mostrar aos nossos futuros cadetes de Thomaz Coelho como devemos valorizar o ensino ao qual temos acesso nos dias de hoje.


TEXTO I


Unesco: 47% de crianças refugiadas no mundo não vão à escola

Publicação revela que 84% dos adolescentes também não vão ao colégio


Publicado em 02.02.2020 — Por Heloísa Cristaldo — Agência Brasil


Em todo o mundo, cerca de 47% das crianças refugiadas não foram matriculadas na educação primária, e 84% dos adolescentes refugiados (entre 15 e 17 anos) não frequentavam a educação secundária em 2016. As informações fazem parte da publicação “Proteção do Direito à Educação dos Refugiados”, lançada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O documento analisa questões sobre o direito à educação de refugiados, o marco legal internacional do direito à educação e os instrumentos normativos que o garantem a todas as pessoas, incluindo refugiados e quem vive nessas condições. Segundo a publicação, mais de 65 milhões de pessoas procuram asilo, são deslocadas internamente ou são refugiadas.

Metade dos refugiados do mundo são crianças menores de 18 anos. A duração média de exílio de um refugiado é de cerca de 20 anos, “o que é mais do que toda uma infância e representa “uma fração significativa dos anos produtivos da vida de uma pessoa”, avalia o documento. (...)


Acesso à educação


A publicação aponta que, entre os refugiados, apenas 50% das crianças frequentam a educação primária e apenas 25% estão na educação secundária. “No Oriente Médio e no Norte da África, na última década, os países investiram recursos consideráveis para aumentar a frequência escolar das crianças. Entretanto, recentemente, esse progresso parou. (...)

“Sem acesso à educação secundária, as crianças e os adolescentes refugiados ficam vulneráveis ao trabalho infantil, à exploração e a problemas de comportamentos negativos (...) A educação de meninas também pode protegê-las do casamento e/ou da gravidez precoce e dos riscos da exploração sexual”, indica a publicação. (...)

Fonte: www.agenciabrasil.ebc.com.br/ Acessado em: 16.08.2021)

Texto Il


Combate a exploração ao trabalho infantil


Por alunos do 5º ano/EF da Escola Municipal JOÃO PAULO Il


*O texto a seguir foi construído por alunos do Ensino Fundamental e, por isso, encontra-se na linguagem informal.

FORTALEZA(CE), JUNHO DE 2012.


O direito da criança

Na constituição está

No ECA também há

Artigos pra mostrar

Que o direito da criança

É para se respeitar

(..)

E não se pode deixar

A criança trabalhar

Tirando o tempo de estudar

A liberdade de brincar

O direito de sonhar

Com o futuro que terá

Se algum coleguinha

Começar a aula faltar

Para serviço prestar

deixando de frequentar

a aula pra trabalhar

você deve alertar

(..)

E quem isso negar

Um crime cometerá

E na lei vai pagar

Mas só acontecerá

Se alguém denunciar

A quem a criança explorar


Nos afazeres da casa

A criança pode ajudar

Isso é colaborar

E responsabilidade ganhar

Só não pode exagerar

Quando em casa ajudar

(...)

No Brasil é fácil encontrar

Criança que vai trabalhar

Para a família sustentar

Na zona rural há

Na cidade não vai faltar

Você pode acreditar

Meninas vão trabalhar

De doméstica ou babá

Para em casa ajudar

O alimento comprar

Sem ter dia para folgar

Ou tempo de estudar

(..)

Fácil não será

Mas não custa tentar

O trabalho infantil acabar

Se a população se juntar

Para se fazer praticar

O que na lei está.

(Fonte: www.fundacaotelefonicavivo.org.br/ Acessado em: 16.08.2021)


Texto III

Como é a vida escolar dos filhos de artistas circenses

Em apenas um ano, crianças chegam a estudar em mais de dez escolas diferentes

Por Natany Borges


1______É no ano em que aprende a formar sílabas, compreender palavras e dar sentido às frases que

Antônio Bartolo Neto, de apenas sete anos, experimenta a vida “nômade” em contraponto à

“permanência” na escola. Representante da oitava geração de uma família de artistas de circo, ele já

sabe que a cada novo mês conhecerá uma nova cidade, será matriculado em uma nova instituição de

5 ensino e precisará interagir com uma turma já entrosada nas atividades de alfabetização. Somente em

2017, o pequeno aluno acumula registros de sete escolas em seu caderno. A última foi em Venâncio

Aires. Penúltima, Rio de Janeiro. Antepenúltima, Nova Iguaçu (RJ). A próxima? Rio Pardo.

______Enquanto isso, é em Santa Cruz do Sul que estabelece uma rotina que já completa quatro

semanas. Amparado pela professora da Escola Ernesto Alves, Elisangela Mees, o aluno trabalhou nos

10 últimos dias as vogais. “No primeiro dia de aula olhei o caderninho dele e depois fiz um ditado para

entender em que nível ele estava”, explicou. Enquanto boa parte da turma já consegue decifrar as

palavras, o pequeno Neto ainda apresenta certa dificuldade. Nada, entretanto, que comprometa o seu

desempenho em sala de aula. “O que dificulta é essa “quebra” de sequência. Por isso, eles têm o ritmo

um pouco mais lento”. Em sala de aula, a professora dos anos iniciais já está acostumada a lecionar

15 para crianças nômades. Todo mês de outubro, por exemplo, dá aula para os filhos dos trabalhadores

do parque de diversões que vêm à Oktoberfest.

______A matrícula desses alunos — filhos de profissionais itinerantes — é assegurada por meio da Lei

Federal 6.533/78, a qual assegura a mudança de escola em escola, mediante apresentação de

certificado da instituição de origem. É por isso que o pai de Neto, o artista do Circo Italiano, Bartolo

20 Júnior, guarda a sete chaves o tal documento, junto com o histórico escolar do pequeno. “Assim que

definimos uma nova cidade e o espaço para a estada do circo, a primeira questão a providenciar é

uma escola para os pequenos”, explica Júnior. Segundo o malabarista, dificilmente há contratempos na

hora de garantir uma vaga. Basta levar a documentação para que no mesmo dia ou no seguinte, os

pequenos já estejam matriculados. “Conquanto queiram seguir com a vida de circo, eles precisam

25 estudar. Sempre digo que com educação vão ser alguém na vida.” Nesse contexto, o pai acrescenta

que a cobrança “em casa” — o interior do motorhome — é a mesma dos pais que têm trabalho fixo na

cidade. “Depois da aula, a Paula (mãe) verifica o caderno e ajuda ele na lição. Só depois é que ele vai

brincar ou acompanhar as atividades do circo”, finaliza. Além de Neto, Junior também é pai de Alice, “

12,e Daniel, 14. Ambos estão no sétimo ano e também estudam no Ernesto.

30______Apesar de já ter lecionado para alunos itinerantes, esta

foi a primeira vez que Elisangela Mees foi desafiada a ensinar filhos de circenses. Sensibilizada com reportagem publicada pela Gazeta do Sul

19 e 20 de agosto, "Uma vida na estrada dedicada aos espetáculos”, ela resolveu trabalhar, ao longo

de toda a semana, a temática com a turma de pouco mais de 20 alunos. Entre as atividades propostas,

estiveram ditados, imagens para colorir e leituras como “O nosso colega Antônio é artista do Circo

35 Italiano e o sonho dele quando crescer é ser homem pássaro e equilibrista”. Durante uma das aulas, a

turminha, em coro, repetiu a frase e fez questão de verbalizar os aprendizados da semana. “Foi uma

experiência muito bacana, ainda mais porque o Antônio estava ali para compartilhar suas experiências

com a turma. Um mundo novo foi apresentado”, disse Elisangela.

(Adaptado de: www.gaz.com.br/ Acessado em: 17.08.2021)

A conjunção destacada em “Conquanto queiram seguir com a vida de circo, eles precisam estudar. Sempre digo que com educação vão ser alguém na vida.” (texto III) revela a preocupação do pai de Antonio Bartolo Neto com a educação de seu filho. Esse conectivo expressa valor

 

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