Acolha seus medos, aprenda com seus fracassos.
Por Leandro Herrera
Por muito tempo, achei que minha história era cheia de desvios e que a maioria das pessoas bem-sucedidas tinham trajetórias mais consistentes. Descobri recentemente que estava errado.
Hoje, eu sei que o caminho para ser feliz no trabalho é irregular, mesmo que a maioria das pessoas tente planejar a carreira olhando muitos anos à frente. Minha história pode ajudar a diminuir sua ansiedade e, quem sabe, aumentar sua satisfação ao ver seus planos irem por água abaixo.
Não foi fácil para mim encontrar uma vocação. Na adolescência, envolvi-me com a música e sonhei por algum tempo em ser compositor, cantor, artista. Na mesma fase, antes de saber qualquer coisa sobre o mundo dos negócios, eu dava aulas de inglês para executivos.
Quando chegou a hora de ir para a faculdade, optei por diversificar minhas opções: prestei jornalismo, administração, cinema, história, artes multimídias e relações internacionais.
Claramente, eu não tinha um plano para o meu futuro. Passei no curso de História, cursei por 6 meses e abandonei. Fui estudar Relações Internacionais com a intenção de me tornar diplomata.
Perguntava-me constantemente: será que um dia serei feliz no trabalho? Será que é assim que as pessoas lidam com o trabalho ao longo da vida? Aquilo, para mim, não era jeito de viver e pensei que talvez a solução fosse criar meu próprio trabalho, assim poderia definir as regras do jogo. Pedi demissão para começar uma empresa.
Por ter empreendido, aprendi alguma coisa sobre comunicação e marketing, o que foi necessário para ser contratado pela Endeavor, uma das principais organizações de apoio a empreendedores no mundo. Era o trabalho ideal: poderia aprender mais sobre empreendedorismo para abrir uma empresa no futuro e, ao mesmo tempo, liderar um projeto de estratégia digital, com foco em conteúdo e educação para empreendedores. Comecei ganhando um salário parecido com o do meu primeiro estágio, mas estava determinado a não desperdiçar aquela oportunidade.
Ali eu fui feliz e me encontrei, finalmente. Nos 4 anos seguintes, criei dezenas de projetos, fui reconhecido profissionalmente, vi meu salário aumentar, conheci pessoas que me influenciam até hoje e tive meus primeiros desafios de liderança de times. Ali também conheci a mulher que se tornaria minha companheira para a vida. Mas, em algum momento, também me cansei. Para onde continuaria minha carreira, que já era totalmente irregular?
Voltei à estaca zero. Comecei a fazer trabalhos como freelancer, meio errático, até receber uma proposta de uma agência de publicidade. Aquele era um mundo que queria conhecer, então me joguei. Poucos meses depois, percebi que eu era absolutamente incompatível com aquele ambiente e pedi demissão. Comecei a dar aulas em algumas universidades para complementar a renda e também para aprender mais sobre a área de educação.
Surgiu a oportunidade de trabalhar em uma startup de tecnologia para educação básica e mais uma vez eu disse sim. Foi uma experiência incrível. Ainda assim, 2 anos depois, eu pedi demissão para abrir mais uma empresa, a Tera.
E lá se vão mais 4 anos empreendendo um novo modelo de escola para o futuro do trabalho. Sou extremamente realizado, embora liderar uma empresa (hoje com 40 pessoas e milhares de estudantes) seja um desafio gigantesco. Levei 15 anos para chegar até aqui, comecei e desisti de um monte de projetos, e no final o sentimento que eu carrego é que mesmo o que deu errado foi certo, se não fosse essa exata combinação de experiências não teria chegado até aqui. Minha história não é de sucesso, mas de uma coleção de tentativas, descobertas e fracassos que me levaram a encontrar um caminho para ser feliz com minha vida produtiva.
(Disponível em: https://epocanegocios.globo.com/ –
texto adaptado especialmente para esta prova)
Na linha, em “Perguntava-me”, há a ocorrência de ênclise.
Assinale a alternativa na qual a colocação pronominal esteja INCORRETA.