Pocinhos do Rio Verde canhoneia Paris
Quem suspeitaria que Pocinhos do Rio Verde, um lugarzinho bucólico, com matas, riachos, pássaros, um dia ajudou a canhonear Paris? Mas não foi por virtude de matas, riachos e pássaros. Foi em virtude do que havia nas montanhas vulcânicas, um metal raro, zircônio, bom para produzir aço para canhões. Desde o início do século XX, o zircônio era exportado para a Alemanha. Na guerra de 1914-1918, a Alemanha construiu três canhões gigantescos, de 420 mm de calibre, capazes de lançar granadas a 100 quilômetros de distância: Paris! O primeiro canhão explodiu no primeiro tiro, matando sua guarnição. Mas os outros dois, apelidados de “Berta”(com certeza, três irmãs gêmeas, de mau gênio...), conseguiram o seu objetivo.
Bombardearam Paris. Minha hipótese para a explosão da primeira irmã Berta é que seu aço era de má qualidade, sem zircônio de Pocinhos. Pocinhos, quem diria, lugarzinho tão pacífico, tem essa mancha negra no seu passado... Mas Deus já perdoou. Foi sem querer... Essas informações se encontram no livro Memória da Companhia Geral das Minas (Poços de Caldas, Alcoa Alumínio).
Alves, Rubem Ostra feliz não faz pérola / Rubem Alves. — São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008.
O que o autor sugere ao afirmar que Pocinhos do Rio Verde tem "essa mancha negra no seu passado"?