A grande ameaça
O que era uma suspeita e virou uma certeza agora se transforma numa ameaça sombria. A comprovada relação entre a contaminação de gestantes pelo vírus zika e o nascimento de bebês com microcefalia pode resultar no “maior desafio de saúde pública” já enfrentado pelo país, nas palavras do infectologista Artur Timerman. Para ele, a magnitude do problema só é comparável à epidemia de AIDS que assolou o Brasil no início dos anos 1980. “Se não se descobrir em breve uma vacina contra o vírus, o país terá 100 000 casos de microcefalia em cinco anos”, afirma o infectologista. A previsão se justifica porque a expansão do zika – e, por consequência, de seus efeitos mais nefastos – está apenas no começo. Timerman explica que haverá ainda um ou dois anos para que o vírus se adapte ao seu hospedeiro, o mosquito Aedes aegypti. Quando isso acontecer, o risco de a picada do mosquito resultar na transmissão do zika, o que hoje nem sempre ocorre, aumentará muito. Isso significa que o auge da epidemia no Sudeste, a região brasileira mais populosa, deve se dar em dois anos. Nesse cenário, diz o infectologista, apenas o combate ao Aedes aegypti não será suficiente para evitar que o país veja surgir nos próximos anos uma “geração de sequelados”, como definiu uma médica de Pernambuco, o epicentro da crise. “É como tentar debelar um incêndio com copos de água.”
A grande ameaça. Revista Veja 2458,. Editora Abril,
ano 48, nº 52, 30 de dezembro de 2015, p. 75.
No período “Quando isso acontecer, o risco de a picada do mosquito resultar na transmissão do zika, o que hoje nem sempre ocorre, aumentará muito”. O pronome ISSO recupera: