Magna Concursos
55049 Ano: 2006
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: SEFAZ-RS

A questão refere-se ao texto abaixo.

"Contra Alfred Dreyfus nenhuma acusação subsiste." Com essa declaração, a Corte francesa encerrou, em 12 de julho de 1906, um dos mais rumorosos casos judiciais da história moderna. O "affaire Dreyfus", como ficou conhecido, transformou-se num divisor de águas, numa crise de consciência de grandes proporções.

Em 1894, o capitão de artilharia Alfred Dreyfus foi acusado de passar segredos militares franceses à Embaixada alemã em Paris. Dreyfus era judeu, e a denúncia logo gerou ruidosas manifestações antisemitas. Intimidado por elas, o alto comando militar francês levou o capitão à corte marcial. As evidências eram contraditórias, para dizer o mínimo, mas mesmo assim o tribunal acabou condenando Dreyfus por alta traição. O militar foi deportado para a Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, um lugar que, pelas terríveis condições, fazia jus ao sinistro nome, e lá ficou por quase cinco anos.

Nesse meio tempo, assumiu o novo chefe da contra-espionagem, o tenente-coronel Georges Picquard, que prosseguiu a investigação e descobriu o verdadeiro espião, o major Ferdinand Esterhazy. Os superiores de Picquard disseram que não maculariam ainda mais a imagem do Exército com um novo julgamento. Picquard protestou e foi, por sua vez, preso.

A condenação de Dreyfus desencadeou uma onda de protestos que culminaram na famosa carta aberta do escritor Émile Zola ao presidente Félix Faure, publicada em 13/01/1898 no jornal "L'Aurore", ..... que o jornalista e político Georges Clemenceau deu o título ..... qual até hoje é conhecida: "J'Accuse", eu acuso. Em setembro de 1899, o presidente da França ofereceu a Dreyfus o perdão judicial, que ele recusou. Finalmente veio a reabilitação e a indenização moral sob a forma da Legião de Honra.

Poucos eventos tiveram tamanha repercussão quanto o caso Dreyfus. De um lado, ficou ..... a força do anti-semitismo, mesmo num país culto e refinado como a França, berço de uma revolução que supostamente consagrou a liberdade, a igualdade e a fraternidade. De outra parte, diante dessa maré de intolerância, a esquerda e os liberais se deram conta ..... não poderiam ficar calados e inermes. Alguém precisava funcionar como intérprete da realidade sociopolítica e cultural, como voz da consciência.

Surgia assim o intelectual. A palavra, aparentemente, não existia antes do caso Dreyfus. Sua criação é atribuída ora a Clemenceau, ora ao direitista Maurice Barrès, que a usou para referir-se ironicamente aos signatários de um manifesto lançado em defesa de Dreyfus.

Adaptado de: SCLIAR, M. A consciência de uma nação. Folha de São Paulo. Mais! 25 de junho de 2006.

Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as lacunas do texto, na seqüência em que elas aparecem (linhas 13, 13, 16 e 18).

 

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