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796436 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: GL Consultoria
Orgão: Câm. Presidente Prudente-SP
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Filosofia do role1

O movimento se confunde com o princípio da vida. O que era extasiante para um filósofo antigo que tentava explicar o princípio do ser, tornou-se, para nós, coisa corriqueira. Há tempos, sob a lente de um microscópio observamos a dimensão unicelular da vida a mover-se. Com a invenção das imagens técnicas, sobretudo da fotografia, tornou-se mais fácil perceber o movimento inerente ao crescimento de uma planta. A olho nu, vemos as folhas de uma árvore levadas pelo ar em movimento. Não vemos o vento, mas o movimento das nuvens provocado por um elemento físico. A olho nu observamos as circunvoluções de uma pedra na água. Da água, se sabe que está sempre em movimento, por isso, dizer “água parada” só faz sentido no âmbito da percepção. Na mesma linha, se contemplamos a vida dos animais percebemos como se movem, se nadam, se correm ou voam, como comem, como fazem sexo, como brigam, como brincam. Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, o movimento é próprio a todas as coisas que existem.

Podemos dizer que o movimento é um princípio da vida biológica e também um princípio da vida cultural, a vida dos seres humanos. Nosso corpo e nossa linguagem (linguagem que só podemos separar de nossos corpos para efeito de especificação) caracterizam-se pelo mover-se. A célula particular está em movimento, e todo o nosso corpo, em todos os seus gestos e atos, do comer ao dançar, do dormir ao trabalhar, do pensar ao falar, é movimento. A história, por sua vez, poderia ser contada como uma história dos movimentos no tempo.

A questão da mobilidade é ainda mais importante quando pensamos nas condições do movimento. Alguém que precisa de uma cadeira de rodas terá na cadeira uma condição, e nos caminhos pelos quais ela possa passar, a condição para a condição. Se o movimento se dá no espaço devemos saber que a administração do espaço modifica o movimento. E vivemos em uma cultura em que a administração do espaço constitui o poder sobre o espaço e, desse modo, sobre as condições da mobilidade e, dessa maneira, sobre os corpos e suas potencialidades no que concerne ao ir e vir.

É a partir da questão da mobilidade e do nexo com o manifestar, com o mobilizar que culminam no movimento político que podemos falar de uma “Filosofia do rolê”. A questão da mobilidade é solidária à filosofia do rolê. Na construção de uma crítica política da ordem do movimento devemos introduzir em filosofia o conceito de “rolê”. Por meio dele é que podemos abordar a questão prática, ética e política do ir e vir.

Uma filosofia do rolê é uma filosofia peripatética. Uma filosofia do transitar, do transpasseio. Aquele que dá o rolê vai ao desconhecido e espera voltar para casa, como Ulisses que, um dia, aventurou-se pelos mares para retornar à Ítaca. Se o desconhecido é inóspito, natural que se encontrem monstros neles.

O monstro devorador atual é a burguesia adepta do antigorriquismo ou do novorriquismo, do madamismo, do leblonismo ou do higienopolismo, com seus costumes amparados na cafonérrima ideia de “gosto”. Ipanemismo, para aproveitar ironicamente essa espécie de estilo de vida, pode ser a sua melhor expressão.

A transformação da cidade, e de todos os seus bairros, em parque temático se deve a essa lógica. Viver nas cidades implica o direito à cidade. Experimentar o espaço leva a criar espaço. É porque nos movemos que o espaço está vivo e não morto. Ipanemismo é o nome atual da redução de um bairro a parques temáticos.

Por fim, nesse contexto em que pensar é cada vez mais necessário, é bom lembrar de Galileu Galilei que, tendo sido perseguido e preso pela inquisição, deixou claro para todos que, apesar da disputa entre as teorias, a verdade era uma só: a terra não estava parada como a igreja queria que estivesse.Uma revolução se anuncia na invasão e na ocupação dos xópins e praias reservadas indevidamente às classes do capital, das ruas pelo povo, dos meios de comunicação pelos artistas, do governo pelos cidadãos. Talvez a partir daí possamos superar o parque temático e voltar a viver no que poderíamos chamar de cidade.

Em toda situação de interlocução, o predomínio de uma ou outra função de linguagem se dá a partir dos objetivos que motivaram os seres a estabelecer uma comunicação. Sendo assim, no texto “Filosofia do rolê” podemos identificar o predomínio da função da linguagem que se caracteriza

 

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