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60814 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Salvador
Orgão: Col.Mil. Salvador
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Considere o texto a seguir para responder a questão.

TEXTO 1

Aconteceu na Caatinga.

Era meio-dia e a caatinga brilhava à luz incandescente do Sol. O pequeno Calango deslizou rápido sobre o solo seco, cheio de gravetos e pedras, parando na frente do majestoso Mandacaru, que apontava para o céu seus espinhos, os grandes braços abertos em cruz.

– Mandacaru! Mandacaru! Eu ouvi os homens conversando lá adiante e eles estavam dizendo que, como a caatinga está muito seca e cor de cinza, vão trazer do estrangeiro umas árvores que ficam sempre verdes quando crescem e estão sempre cheias de folhas.

– Mas que novidade é essa? – falou a Jurema.

– Coisa de gente besta – disse o Cardeiro, fazendo um gesto de desprezo e atirando espinhos para todo lado.

– Eu é que não acredito nessas novidades – sussurrou o pequeno e tímido Preá.

[...]

E no outro dia, bem cedinho, os homens já haviam plantado centenas de arvorezinhas muito agitadas, serelepes e faceiras, que falavam todas ao mesmo tempo na língua lá delas, reclamando de tudo: do Sol, da poeira, dos bichos e das plantas nativas, que elas achavam pobres, feias e espinhentas. Enquanto falavam, balançavam os galhinhos, que iam crescendo, ganhando folhas e ficando cada vez mais fortes.

Enquanto isso, as plantas da caatinga, acostumadas a viver com pouca água, começaram a notar que essa água estava cada vez mais difícil de encontrar. As raízes do Mandacaru, da Jurema e do Cardeiro cavavam, cavavam e só encontravam a terra seca e esturricada.

O Calango então se reuniu com os outros bichos e plantas para encontrar uma solução. E foi a velha Cobra quem matou a charada:

– Quem está causando a seca são essas plantinhas importadas e metidas a besta! Eu me arrastei por debaixo da terra e vi o que elas fazem: bebem toda a nossa água e não deixam nada para a gente.

– Oxente! – gritou o Calango. – Então vou contar isso aos homens e pedir uma solução.

Mas logo o Calango voltou, triste e decepcionado.

– Os homens não me deram atenção – disse. – Falaram que eu não tenho instrução, não fiz universidade e que eu estou atrapalhando o progresso da caatinga.

E todos os bichos e plantas ficaram tristes, mas estavam com tanta sede que nem sequer puderam chorar: não havia água para fabricar as lágrimas. Por muitos dias ficaram assim e quando estavam à beira da morte houve um movimento: era o Preá, que levantou o narizinho e gritou:

– Estou sentindo cheiro de água!

– É mesmo! – gritaram todos.

– O que será que aconteceu? – perguntou a Jurema.

– Eu vou ver o que foi – e o Calango saiu veloz, espalhando poeira para todos os lados.

O Mandacaru estirou os braços, espreguiçou-se e sorriu:

– Estou recebendo água de novo! Hum... É muito bom! Mas vejam! O Calango está de volta com novidades!

– As pequenas bandidas verdes, depois de beber quase toda a água da caatinga, estavam ameaçando a água dos rios e dos açudes perto das cidades. Os homens então viram o perigo e deram fim a todas elas.

E todos ficaram alegres, sentindo a água subir pelas raízes. Olharam para o céu azul da caatinga, o Sol brilhante, olharam uns para os outros e viram que eram irmãos, na mesma natureza e na mesma Terra.[...]

( Adaptação do conto de Clotilde Tavares, Nova Escola – edição especial, abril de 2007)

VOCABULÁRIO:

Caatinga → tipo de vegetação, característico do Nordeste brasileiro, formado por pequenas árvores comumente espinhosas que perdem as folhas no curso de longa estação seca.

Cardeiro → designação comum a várias plantas da família dos cactos.

Mandacaru → tipo de cacto, grande como árvore, com tronco grosso e ramificado.

Jurema → tipo de arbusto, armado de espinhos.

Preá → mamífero roedor; vive nos capinzais à beira dos córregos, lagoas e rios.

Incandescente → que está em brasa; ardente.

A alternativa em que a palavra destacada foi empregada em sentido figurado é:

 

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