Leia o poema “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, para responder à questão.
MENINOS CARVOEIROS
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
— Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem1 é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
— Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles…
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
— Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados2 nas alimárias3,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas4 como espantalhos desamparados.
(Manuel Bandeira. O ritmo dissoluto. In: Estrela da Vida Inteira. Introdução de
Gilda e Antonio Candido Mello e Sousa. 16. ed. Rio de Janeiro: José Olympio)
1 aniagem: tecido rústico de juta, fibra vegetal, entre outros materiais.
2 encarapitado: colocado em local mais elevado.
3 alimária: animal quadrúpede ou de carga.
4 cangalha: apetrecho de madeira ou ferro, encaixado no lombo dos animais para pendurar carga de ambos os lados.
Considerando-se a linguagem dos poemas enquanto gênero literário, é correto afirmar que o texto do modernista Manuel Bandeira