"Quando aceitei aprender a ler e escrever, encarei a alfabetização como quem compra um peixe que tem espinha. Tirei as espinhas e escolhi o que eu queria. Acho que a maioria das crianças que vai hoje para a escola e que são alfabetizadas é obrigada a engolir o peixe com espinha e tudo. É uma formação que não atende à expectativa delas como seres humanos e que violenta sua memória. Na nossa tradição, um menino bebe o conhecimento do seu povo nas práticas de convivência, nos cantos, nas narrativas. Os cantos narram a criação do mundo, sua fundação e seus eventos. Então, a criança está ali crescendo, aprendendo os cantos e ouvindo as narrativas. Quando ela cresce mais um pouquinho, quando já está aproximadamente com seis ou oito anos, aí então ela é separada para um processo de formação especial, orientado, em que os velhos, os guerreiros, vão iniciar essa criança na tradição.
(Entrevista a Ailton Krenak, por Alípio Freire e Eugênio Bucci - Revista Teoria Debate / Instituto Sedes Sapientiae, 1989).
A partir da leitura avalie as propostas a seguir:
I. Ailton Krenak considera o processo de alfabetização a que são obrigadas as crianças indígenas como uma agressão.
II. O autor considera que, embora seja incompreensível e intimidante para o aluno, é fundamental alfabetizar a qualquer custo as crianças indígenas.
III. O autor defende o processo tradicional de transmissão de conhecimento e valores que circulam no registro oral, na interação com a comunidade.
IV. O autor acredita que a melhor forma de integrar as crianças indígenas ao sistema escolar é mediante a alfabetização em português.
V. O autor recomenda a alfabetização como um elemento de progresso pessoal.
Segundo o texto de Ailton Krenak, a opção correta é o que se afirma:
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