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4244381 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Câm. Flores Cunha-RS
Provas:

Culpa: não sinta muito

Por Martha Medeiros

A culpa não desgruda. Terminou com alguém que ainda o amava? Culpa. Foi indiferente

à dor do outro (ou, pior, indiferente às suas conquistas)? Que feio. Não estava ao lado dos seus

pais em seus momentos finais? Perdeu a conexão com os filhos? Acontece, mas o remorso não

quer saber de explicação.

Sejam físicas ou espirituais, nossas ausências, mesmo involuntárias, nos corroem vida

afora. E nem falei das culpas que nos autoinfligimos por termos cedido __ covardia, ao invés

de tomar a decisão que mudaria nossa história.

É mais fácil ser inimigo de si mesmo do que chutar o balde e magoar dois ou três, se bem

que a culpa não escolhe lado neste caso. É o clássico “se correr o bicho pega, se ficar o bicho

come”.

Uns 15 anos atrá...., li um pequeno e ótimo livro sobre o assunto, chamado O sentimento

de culpa, de Paulo Sergio Guedes e Julio Walz (edição dos autores). Eles me fizeram entender

a onipotência que sustenta essa relação credor/devedor, e que a verdadeira libertação está em

se responsabilizar pelos seus atos, sem martirizar-se.

Sentir-se culpado é um desperdício de energia que é recompensado, incon....ientemente,

pela importância que estamos nos dando. Ainda assim, de vez em quando, me pego

alimentando esse monstro chamado culpa, que ataca principalmente as relações familiares,

onde estão aqueles de quem mais cobramos e a quem mais devemos.

São muitas promessas feitas em nome de um afeto obrigatório e pretensamente

indestrutível. Maridos e mulheres são induzidos a manter a eternidade de um laço que, com o

passar dos anos, pode afrouxar, sem que tenha havido má-fé de nenhuma das partes – por

que se culpar?

Pais e filhos têm seus direitos e deveres atravessados pelo que nunca pode ser previsto:

os desvios naturais de rota e o livre arbítrio de cada um, que muitas vezes destoa do que se

espera. A culpa nem sempre nasce de uma ação incorreta ou maldosa: ela quase sempre nos

invade por não termos conseguido realizar o que o outro espera de nós.

Por isso, mais uma vez, a amizade se destaca em sua nobreza. Ninguém culpa um amigo

que foi morar em outro país ou que fica muito tempo sem dar notícias: não há abandono nem

e....pectativas a atender; é um gostar-se sem exclusividade nem contrato. Se acaso as

afinidades se desfizerem, nem assim colocaremos o dedo na cara do amigo: aceita-se em paz

os humores do destino. Amigos não embaçam: desatam nós com habilidade e dormem bem

___ noite. Raramente dão motivos para a insônia alheia. Já as culpas geradas pelo parentesco

tornam-se existenciais e crescem como tumores.

Por dar a esse monstro insaciável o nome de amor, não temos coragem de fazer o que

se deve: deixar ___ culpa morrer de fome.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2026/05/culpa-nao-sinta-muito-cmokq8t0o01do0123loqadbtf.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra que NÃO tenha sido formada com o prefixo “in-” de sentido negativo.
 

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