Mirábile
Há muitos anos, numa terra que só a imaginação da gente sabe onde fica, surgiu uma cidade chamada Mirábile. As pessoas que a habitavam eram bastante felizes e, na maioria das vezes, viviam festejando. Tanto que as palavras que falavam eram coloridas.
No entanto, a felicidade daquela cidade vivia sob as ameaças de Elibarim, um lugar de moradores agressivos, cujos domínios ficavam para muito além das cercanias de Mirábile. Esta outra cidade fora erguida num lugar castigado pelas brasas do sol. Os que nasciam em Elibarim tinham que se esforçar para sobreviver, transformando-se em criaturas belicosas, arredias e briguentas. Os elibarenses viviam por conta de saques a outras cidades e eram temidos por todos em todos os lugares por onde passavam.
Uma noite, a cidade estremeceu com um chamado para que toda a população se reunisse na praça central, pois algo de muito grave estava acontecendo e todos precisavam ajudar na procura de uma solução. Nessas horas é que se percebe o quanto as cidades podem ser realmente grandes ou pequenas. Num instante, Quiseré e sua família já estavam reunidos na roda do chafariz que adornava o centro da praça principal. […]
A questão era como aquela gente pacífica e cordial faria para se defender dos exércitos de Elibarim. Acostumada a tomar decisões em conjunto, a população começou a imaginar soluções para aquela ameaça tão próxima. Alguém sugeriu a contratação de um exército externo, que pudesse enfrentar a chusma de invasores. Outros, pouco afeitos à violência, optaram logo por abandonar a cidade à sorte daquela gente má. A maioria não sabia mesmo o que fazer. Apesar do susto, os moradores tinham alguns dias para pensar numa saída. Assim, a reunião foi desfeita e cada um dos mirabilenses voltou para casa com a missão de pensar numa forma de evitar o ataque dos adversários. Verdade é que nesse dia as palavras ficaram menos coloridas, pareciam desbotadas, por causa da preocupação que havia se instalado no coração de cada uma.
(Adaptado de: PEREIRA, E. A. Contos de Mirábile. 2. ed. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2007.)
Assinale a alternativa correta considerando o texto: