O primeiro conto do vigário
O português Antônio Teodoro desembarcou no Rio de Janeiro, em 1814, elegantemente vestido, com uma fala macia e maneiras educadas.
Dizia-se herdeiro de um tio padre que acabara de falecer. Aos novos amigos cariocas contou que teve de abandonar Portugal, pois estava sendo perseguido por parentes despeitados e gananciosos, excluídos do testamento. Um procurador cuidava dos problemas legais e em breve, jurava ele, uma imensa fortuna lhe chegaria às mãos.
Meses se passaram e nada de o dinheiro chegar. Antônio dizia aos amigos que a demora estava lhe causando dificuldades. Diversas famílias se ofereceram para ajudá-lo, adiantando-lhe dinheiro.
Depois de um ano, com Antônio vivendo, e bem, à custa dos amigos, eles resolveram investigar e descobriram que Antônio Teodoro era um conhecido trapaceiro em Lisboa. Ele foi preso, mas o golpe que aplicou chegou até nossos dias com o nome que ganhou na época: conto do vigário.
Almanaque Globo Rural, 1989, p. 84.
Com base no texto acima, julgue o item seguinte.
Os parentes de Antônio Teodoro, deserdados pelo padre, é que tramaram para seu fracasso.