Instrução: As questões de números 31 a 33 referem-se ao texto abaixo. Em caso de destaques ao longo do texto, eles estarão citados nas questões.
Descaminhos da Hipercorreção
01 ____ Chama-se de hipercorreção ao processo que leva a corrigir também quando não se deve
02 corrigir. Ou seja, na tentativa de ser correto, corrige-se demais.
03 ____ As fontes da hipercorreção são duas. Uma é a própria variação linguística, que sempre
04 envolve uma forma considerada correta e outra considerada errada. A segunda fonte é a vontade
05 de ser correto.
06 ____ Tomemos um caso como paradigma: o “l” de final de sílaba é, em geral, pronunciado como
07 semivogal (como se fosse um “u”): assim, “maldade” se pronuncia “maudade”.
08 ____ Uma das atividades escolares consiste em insistir na grafia correta. Ora, na mesma posição
09 ocorrem semivogais “de verdade”, como em “cauda” (rabo). Uma das atividades escolares
10 consiste em corrigir erros como “maudade”, o que levaria os alunos (e ex-alunos) a eliminar o “u”
11 nesta posição. Mas o mesmo trabalho que leva a acertar a grafia de “maldade” leva a errar a
12 grafia de “cauda”. Acrescente-se que existe também a palavra “calda”, a dos doces, o que ajuda a
13 complicar a questão: no limite, alguém pode trocar “u” e “l”, escrevendo “cauda” quando deveria
14 escrever “calda” e vice-versa (o mesmo ocorre em “auto / alto”, “mal / mau”).
15 ____ Muitos erros de grafia se devem a este fenômeno. Ao lado de escritas como “hoge” (hoje)
16 ou “pessa” (peça), previsíveis, dado o nosso sistema de escrita, ocorrem casos como os
17 comentados acima.
18 ____ Também há hipercorreções sintáticas, como o excesso de concordância. Uma das
19 características do português “popular” é a diminuição das flexões verbais. A terceira pessoa do
20 singular funciona como “curinga” das outras pessoas: casos extremos podem ser representados
21 por “eu vou / você vai / ele vai / nós vai / vocês vai / eles vai”, conjugação na qual só a primeira
22 do singular é diferente (parece inglês…). Ora, estas formas são corrigidas na escola, pelo menos
23 quando se decoram as conjugações. É uma pena, mas dificilmente se constrói uma espécie de
24 gramática contrastiva, o que seria bem interessante e penso que eficaz.
25 ____ “Flexionar mais” parece ser um imperativo. Não seria estranho dizer que formas como
26 “haviam muitas pessoas” e “fazem cinco anos” são efeito dessa vontade de acertar, de colocar
27 verbos no plural, que é o que se cobra sempre…
Considerando o último período do fragmento de texto (l. 25 a 27), avalie as afirmações que seguem, relativamente às regras de concordância de verbos impessoais:
I. Os verbos haver e fazer (na indicação de tempo), quando usados como impessoais, ficam na 3ª pessoa do plural.
II. passar de, na indicação das horas, deve ser flexionado na 3ª pessoa do plural, acompanhando o numeral.
III. O verbo chover, no sentido figurado, deixa de ser impessoal e, portanto, deve concordar com o sujeito.
Quais estão corretas?