O desejo
A velhinha tinha uma pequena loja, numa rua de Florença. Exteriormente, sua loja não era nem rica nem elegante nem artística. Isso acontece em muitas lojas, na Europa. Mas a velhinha vendia umas blusas tão lindas e originais que mulher nenhuma poderia ficar insensível aos seus encantos. E eis que, de repente, me torno possuidora de uma delas. Começava a escurecer. A formosa Florença tornava-se uma cidade de prata. Eu desejava mais uma blusa: quem viaja sempre está pensando em alegrias que, na volta, pode dar aos amigos. Mas a loja ia fechar, a velhinha não negociava com dólares (pensar que um dia eu tive dólares): então separei a segunda blusa e prometi que na manhã seguinte apareceria com minhas liras.
(Cecília Meireles. Seleta em Prosa e Verso. Rio de Janeiro. José Olympio, 1973.)
É possível afirmar que em “E eis que, de repente, me torno possuidora de uma delas.”, o termo “delas” se refere a: