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Manias de cão
Minha vira-lata Bianca cumpre religiosamente um ritual A) ao perceber que me preparo para sair de casa. Quando detecta o momento, assume o ar de caçadora e fica à espera da troca de calçados. Abocanha o sapato descartado e o leva para o sofá, onde vai refestelar-se, aguardando minha volta. E enfia o focinho naquela lembrança envolta no cheiro do dono.
Imagino que Bianca encontrou sua maneira idiossincrática de resolver a síndrome da separação, quando cães sofrem devido à partida de seus tutores B). Nas vezes em que saio com minha filha, a vira-lata faz questão de alinhar calçados de nós dois no sofá, usando-os como almofadas improvisadas.
Bianca ganhou há pouco tempo um “irmão”. Boris é um dogue alemão de escassos dez meses e fartos 50 e poucos quilos. Já fica em pé ao apoiar suas patas sobre meus ombros, um pouco abaixo da minha altura de 1,84 metro. Combina a robusteza da raça com doses maciças de meiguice e de falta de jeito, agravada pela cauda em forma de chicote emborrachado.
Trouxe o pequeno gigante para meu apartamento quando ele contava poucos meses de vida D). O plano era acostumá-lo a alguns integrantes da matilha, que compartilham comigo a rotina mais urbana C), e depois deixá-lo, em definitivo, no sítio, ao lado de meus outros cães. Cometi, nessa estratégia, um erro crasso.
Habituei-me a assistir televisão apoiado no corpanzil do dogue alemão. Ele também gosta de se ajeitar ao meu lado, enquanto, desesperada, Bianca procura uma brecha para aninhar-se junto ao dono.
O erro foi permitir ao gigante de São Roque, onde fica o sítio, acesso ao sofá. Começarei, em breve, um esforço de adestramento e educação canina para ensiná-lo que o chão é superfície mais indicada ao vigor físico de um dogue alemão.
Enquanto fraquejo na disciplina, Boris desenvolve sua idiossincrasia de sofá. Alimenta a mania de pegar uma almofada com a boca e soltá-la sobre o encosto para braços. Assim, ajeita a cabeçorra sobre flocos de espuma ensacados, em vez de lidar com a aspereza do couro sintético. E, quando está frio, o amigo usa a boca para organizar, com as mantas que cobrem o assento, um local confortável e aconchegante.
São clássicas as histórias das manias gastronômicas de nossos pets. Oksana, minha matriarca samoieda, adorava ficar embaixo da ameixeira do quintal, à espera da queda das frutas, para comê-las. Parecia uma experiência newtoniana.
Já ouvi histórias hilárias, e outras nem tanto, sobre manias de cães. Conheci um vira-lata que gostava de se embebedar com água do vaso sanitário. Empolgava-se ao cultivar atos escatológicos, e "dava de ombros" ao refresco oferecido no pote.
Além de manias eventuais, testemunhamos a compulsão, como correr atrás da cauda ou lamber excessivamente uma parte do corpo. Nesses casos, é fundamental recorrer a veterinários e especialistas em comportamento animal. E alguns cães, à la vida de seus donos, já são encaminhados para o universo dos medicamentos antidepressivos.
JAIME SPITZCOVSKY
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/42792-manias-de-cao.shtml>. Acesso em: 14 maio 2012.
Vocabulário:
Samoieda: raça, desenvolvida na Sibéria, de cães de densa pelagem branca ou creme, usados especialmente em tração de trenós ou no pastoreio de renas.
Samoieda: raça, desenvolvida na Sibéria, de cães de densa pelagem branca ou creme, usados especialmente em tração de trenós ou no pastoreio de renas.
O enunciado em que fica evidente que o autor tem vários animais é